O cantor Paulo Ricardo, de 64 anos, que integrou a banda RPM nos anos 80, guarda em casa um acervo que mistura vinis clássicos, gibis e bonecos de super-heróis. O espaço foi montado ao longo de décadas de dedicação à cultura pop. Segundo uma reportagem do Gshow, as três coleções formam o maior patrimônio afetivo do cantor.
Cada uma delas remete a uma fase distinta da vida dele, do fã de quadrinhos ao correspondente musical que testemunhou de perto a explosão do rock britânico.
Da reportagem musical ao palco
Sonia, professora, e Waldeck, engenheiro do Exército, criaram Paulo Ricardo em meio às mudanças constantes de cidade provocadas pela carreira do pai. A família morou em diferentes endereços até se fixar na cidade de São Paulo, onde ele pôde desenvolver os próprios planos.
Foi na capital paulista que ele cursou Comunicação na USP e começou a escrever sobre música antes de subir aos palcos. A carreira mudou de rumo quando ele foi enviado a Londres como correspondente da revista SomTrês.
A virada em Londres e a criação do RPM
Na capital britânica, Paulo assistiu à explosão de bandas como Iron Maiden, Clash e Duran Duran. A experiência o convenceu de que o Brasil também podia vivenciar aquela energia sonora. De volta ao país, formou o RPM, grupo musical que incorporou a palavra “revolução” no próprio nome para resgatar o termo do contexto militar. O RPM vendeu três milhões de discos. O álbum “Rádio Pirata Ao Vivo” (1986) alcançou 2,7 milhões de cópias e rendeu 12 discos de platina.
Vinis, gibis e super-heróis em casa
Apesar da fama de um dos maiores símbolos sexuais do país nos anos 80, o cantor mantém uma rotina caseira e valoriza objetos físicos que remetem à própria história. Fora dos palcos, encontra equilíbrio cercado por gibis e vinis e divide o tempo com seus quatro filhos — Paola, Isabela, Luis Eduardo e Diana — e com a esposa, a fotógrafa Isabella Pinheiro, com quem se relaciona desde 2018. O acervo de discos, quadrinhos e bonecos ocupa lugar central na residência.
Em entrevista ao Gshow, no programa SuperStar, o cantor relatou ter saudade dos anos 80 por causa do formato físico da música. Lamentou a perda das artes maravilhosas das capas dos vinis e dos discos de ouro e platina, que eram lindos. Também destacou que a experiência de manusear um vinil tinha um valor que o digital não reproduzia.
O gosto por itens colecionáveis também aparece nos gibis e nos bonecos de super-heróis guardados em casa. Esses objetos fazem parte do universo pop que ele acompanha desde jovem e expressam mais do que um hobby: revelam seu respeito pela arte física. Embora se assuma distraído fora de casa, o cantor costuma perder fones de ouvido no bolso da cadeira do avião e já esqueceu de pegar a bagagem despachada na imigração durante viagem aos Estados Unidos.










