O técnico Luís Castro, que chega ao fim do ciclo de paciência no Grêmio, reclamou, na entrevista coletiva após a derrota para o Bragantino, dos ataques pessoais que recebe de torcedores e que ultrapassam as críticas ao desempenho em campo. Uma manifestação específica nas redes sociais, na qual foi chamado de burro, irritou particularmente o técnico português.
Castro citou na coletiva ofensas de caráter xenófobo contra o treinador estrangeiro e mencionou a xenofobia como parte da questão que o incomodava. Ele separou dois tipos de cobrança legítima: uma é a pressão natural do coração do estádio; a outra é completamente diferente.
Para ele, a segunda forma de cobrança é um ataque à sua integridade pessoal. Segundo o próprio Castro, a sociedade perdeu o respeito por tudo e por todos. Ele responsabilizou a mídia por não se posicionar contra esse tipo de ofensa.
Um vídeo publicado nas redes sociais, somado a outras manifestações no mesmo tom, motivou o português a vir a público. Castro insistiu que não fazia lamentações, mas constatações sobre o momento vivido pelo clube e sobre o tratamento que recebe como estrangeiro à frente do time.
Pressão redobrada antes do Gre-Nal pela Copa do Brasil
O tropeço diante do Bragantino ocorreu em momento extremamente delicado do calendário gremista. Na quinta-feira, dia 27, às 20h, o Grêmio enfrenta o Inter no Beira-Rio no jogo de ida das quartas de final. A classificação será decidida no agregado dos dois confrontos.
A direção alertou que a permanência do treinador tem limite. De acordo com o executivo de futebol Paulo Pelaipe, Castro corre risco de demissão se não conseguir bons resultados nos próximos três jogos: os dois confrontos com o Inter pela Copa do Brasil e a partida contra a Chapecoense pelo Brasileirão.
Antes da vitória sobre o São Paulo, o time não vencia no Brasileirão desde maio. O ambiente segue tenso dentro do CT.
Resiliência do treinador diante dos desafios
Castro respondeu às críticas pessoais em entrevista coletiva e afirmou que sua trajetória o tornou resiliente. O técnico deixou claro que a cobrança pelo resultado é parte do trabalho, mas que a dignidade pessoal não pode ser objeto de ataque público de forma xenófoba.
Antes de embarcar para o clássico contra o Internacional, o comandante português volta a comandar os treinos sob pressão redobrada. Uma nova derrota deixaria o ambiente ainda mais tenso e poderia acelerar decisões administrativas sobre o futuro do técnico no clube gaúcho.










