Longe das telas, o ator Thiago Lacerda direcionou sua carreira para um projeto diferente: converteu um terreno em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro em uma lavoura de lúpulo cultivada sob práticas totalmente biológicas.
Ao analisar as características do terreno, o ator identificou potencial para uma iniciativa que ajudasse a suprir uma carência importante enfrentada pelo setor cervejeiro brasileiro Apesar de ocupar a terceira posição mundial na produção de cerveja, o país produz internamente menos de 1% do lúpulo que utiliza, recorrendo a fornecedores estrangeiros para suprir quase toda a demanda.
Antes de colocar o projeto em prática, Lacerda ponderou se o espaço de que dispunha comportaria o cultivo e se a iniciativa seria viável.
Economia circular na prática com Thiago Lacerda
O modelo agrícola segue princípios de economia circular ao transformar resíduos em recursos. O bagaço de cevada, material descartado pelas cervejarias, virou matéria-prima para produzir bokashi, um adubo natural que devolve nutrientes ao solo.
Assim, o resíduo de uma indústria se torna fertilizante para outra. Muitos produtores de cerveja acumulam volumes significativos desse material, o que torna sua reutilização economicamente viável para o negócio agrícola.
Ciência adaptando o lúpulo ao trópico
Historicamente, o cultivo do lúpulo exigia condições climáticas específicas: invernos rigorosamente frios e até 17 horas de luz solar diária durante a floração. Para viabilizar o cultivo da planta no país, a pesquisa acadêmica precisou superar essas limitações naturais.
Pesquisadores da Unesp e da UDESC comprovaram que variedades específicas se adaptam bem ao clima e ao solo nacionais, com produções significativas. A tecnologia pós-colheita otimizou o aproveitamento do insumo e os profissionais conduziram um estudo sobre a extração supercrítica com CO2, técnica que permite extrair óleos e resinas da planta com alta eficiência.
A extração supercrítica também preserva a assinatura sensorial do solo, o terroir, e elimina o uso de solventes químicos nocivos, agregando qualidade ao produto final.
Ganhos logísticos e comerciais
O lúpulo pode ser comercializado na forma de óleo, o que traz ganhos logísticos e melhora os resultados da produção cervejeira. A redução dos custos de transporte, obtida com a otimização das rotas, é uma estratégia para aumentar a margem de lucro.
A oferta local de um insumo mais fresco, aliada à redução dos custos logísticos, muda a equação econômica das cervejarias nacionais e fortalece a competitividade do setor. O projeto de Lacerda, integrado aos avanços científicos das universidades, demonstra como o investimento privado e a pesquisa acadêmica podem convergir para resolver um gargalo estrutural da indústria.
A expansão das lavouras nacionais não apenas reduz a vulnerabilidade do mercado, mas também cria oportunidades de negócio em um segmento que combina inovação agrícola, sustentabilidade e tecnologia de ponta.










