Um meia-atacante de 25 anos que chegou a ser apontado como promessa no futebol do interior de São Paulo relata ter perdido quase R$ 1 milhão em apostas esportivas online. Paulo Henrique Athanazio, o Dodô, afirma que o vício comprometeu sua carreira, esvaziou suas economias e afastou a família.
O prejuízo somado chegou a R$ 967 mil, incluindo o dinheiro que ele já possuía e o que deixou de ganhar com a queda de rendimento em campo. O ex-atleta vendeu carro e apartamento, pediu empréstimos a colegas de futebol e viu o desempenho dentro das quatro linhas despencar junto com as dívidas.
Como o hábito virou vício
Em entrevista ao GE, o jogador contou que as apostas surgiram por influência de pessoas ligadas ao meio do futebol, no formato de brincadeira para render uma renda extra. As primeiras jogadas eram pequenas, mas o padrão de apostar valores baixos em busca de ganhos maiores foi se repetindo e ficando cada vez mais frequente.
Segundo o relato, houve um fim de semana em que ele chegou a ganhar R$ 50 mil em apostas — e outro em que perdeu a mesma quantia. A maior aposta de sua vida envolveu um jogo do Corinthians contra o Racing, da Argentina, quando apostou R$ 50 mil e viu o time brasileiro perder.
O impacto no desempenho em campo
O próprio atleta percebeu o problema quando o futebol deixou de ser prioridade. Ele apostava em partidas de campeonatos da Austrália e da Coreia, disputadas de madrugada, e depois precisava treinar poucas horas depois, o que prejudicou diretamente seu rendimento como jogador.
Passando por Comercial-Sp, Botafogo-Sp, Bahia, Mirassol, Grêmio Prudente, Anápolis, Catanduva, Uberaba, Desportiva Ferroviária, Democrata-Mg e Campinense, Dodô viu a carreira perder força justamente no período em que o vício se agravava. Ele reconhece que pedia dinheiro emprestado a colegas de elenco sob pretextos falsos, o que gerava atritos e desconfiança dentro dos grupos pelos quais passou.
O afastamento da família
Dodô define a distância que se criou com pessoas próximas como a maior perda causada pelo vício. Segundo ele, quase ninguém ao seu redor percebia o problema, já que mantinha uma postura tranquila e bem-humorada no dia a dia.
A mãe foi uma das poucas pessoas que notaram a situação. E chegou a contrair um empréstimo para ajudar a quitar parte das dívidas do filho, hoje na casa dos R$ 120 mil. O apoio dela foi decisivo no momento em que o jogador via a própria vida financeira e afetiva desmoronar.
Hoje, aos 25 anos, o atleta afirma não ter nenhum valor guardado na conta e tenta reconstruir tanto a carreira quanto os laços familiares abalados pelas apostas.










