A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou na última quarta-feira (14) a apreensão e proibiu a distribuição, a fabricação, a importação, a propaganda e o uso de canetas e frascos contendo tirzepatida e retatrutida comercializados sem registro no país. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União.
Três plataformas foram alvo da ação: Peptídeos do Brasil, Oxygen KWP Pharma Brasil e ZPHC Store. Os produtos não tinham registro sanitário, e a empresa responsável não possuía autorização de funcionamento da Anvisa para fabricar medicamentos.
As substâncias proibidas e seus usos
A tirzepatida é o princípio ativo do Monjauro, medicamento indicado para o tratamento do diabetes tipo 2 e o controle crônico do peso. A substância reduz a fome e aumenta a sensação de saciedade após as refeições.
A retatrutida é outro princípio ativo oferecido com a tirzepatida nos mesmos canais irregulares. As duas substâncias circulavam em canetas e frascos usados para administração domiciliar.
Por que produtos sem registro são perigosos
Medicamentos vendidos fora dos canais regulados não passam pelos controles de qualidade e segurança exigidos pela Anvisa. Sem registro, não há garantia da dose, da composição ou da procedência do princípio ativo, fatores essenciais para a eficácia e a segurança do tratamento.
A agência recomenda que qualquer tratamento com essas substâncias use apenas produtos legalizados e seja acompanhado por um profissional habilitado.
Acesso legal com preços menores
Enquanto o mercado paralelo segue sob fiscalização, a semaglutida — substância similar — passou a ter uma opção nacional mais acessível. A farmacêutica EMS lançou a primeira caneta brasileira, com preço inicial de R$ 452, abaixo das versões importadas, que custam mais de R$ 1 mil por mês.
Até o início deste ano, havia 17 pedidos de registro de produtos similares em análise na Anvisa, após a queda da patente da Novo Nordisk. A proibição da Anvisa se estende a qualquer outro comércio no país que venda esses produtos sem registro e não se limita aos sites citados.
Como contaminantes causam infecções quando o pó é injetado
Quando a tirzepatida em pó é diluída e injetada em casa, microrganismos invisíveis a olho nu, como bactérias e fungos, entram diretamente no organismo. Isso acontece porque o ambiente doméstico não oferece as condições de esterilidade exigidas para medicamentos injetáveis. O ar, as superfícies, os recipientes e até a água usada podem introduzir contaminação durante o preparo da solução.
A infecção pode começar no local da injeção, com dor, vermelhidão, inchaço e abscessos (bolsas de pus). Em casos mais graves, os microrganismos entram na corrente sanguínea e provocam sepse, uma emergência médica que pode levar à falência de órgãos e à morte. Além disso, partículas microscópicas do pó causam inflamações e lesões diretas nos tecidos quando introduzidas no corpo.
Quando a tirzepatida em pó pode ser usada legalmente
A Anvisa reconhece que existem situações específicas em que a tirzepatida regulamentada pode chegar aos pacientes fora das embalagens originais. A substância é vendida legalmente em farmácias convencionais e de manipulação, desde que o paciente tenha indicação médica e prescrição emitida por profissional competente.
Nesses casos, o medicamento passa pelos controles de qualidade e esterilidade exigidos, ao contrário dos produtos vendidos ilegalmente na internet.










