Em 1948, em Franca, no interior de São Paulo, Luiza Trajano nasceu, filha de mãe francana e neta de um migrante baiano que saiu do Nordeste em busca de oportunidades. Aos 12 anos, começou a trabalhar como balconista na loja de seus tios, movida pelo desejo de ganhar dinheiro para comprar presentes, decisão que marcaria o início de uma trajetória transformadora no varejo brasileiro.
Enquanto cursava Direito, ela acumulou experiência nas sutilezas do comércio, passando por diversas funções até chegar à gerência. Em 1991, Luiza assumiu o comando da empresa que seus tios haviam fundado.
O que aconteceu depois consagrou-a como uma das executivas mais inovadoras do país e provou que inovação no varejo era possível mesmo antes que a internet se tornasse popular.
Luiza Trajano e as lojas eletrônicas antes da internet
No início da década de 90, quando a maioria dos brasileiros ainda desconhecia a internet, Luiza implementou um conceito revolucionário: as lojas eletrônicas. Esse modelo permitia que clientes comprassem produtos através de um catálogo e marcassem um agendamento para a entrega.
Uma ideia que parecia arriscada para a época, mas funcionou na prática. O conceito ganhou força e impulsionou o Magazine Luiza.
Isso expandiu a rede de lojas, inicialmente localizada apenas em Franca, para uma potência varejista de abrangência nacional. A inovação chamou atenção internacional, e universidades como Harvard começaram a estudar a empresa como case de inovação em vendas.
O que parecia impossível (vender sem presença física) virou referência global e modelo para empreendedores.
Uma empresa que cresceu com liderança feminina
Sob sua direção, o Magazine Luiza expandiu vertiginosamente, consolidando-se como líder no varejo de eletrônicos. Atualmente, a empresa emprega cerca de 23 mil funcionários e opera mais de 800 lojas distribuídas por todo o país.
Esse crescimento colocou Trajano entre as poucas mulheres à frente de grandes empresas na América Latina, posição que a levou a se tornar uma das mais fortes defensoras do empoderamento feminino e da participação das mulheres em cargos de comando.
Sua liderança defende políticas que ampliem oportunidades para mulheres em posições executivas no setor privado.
Isso transformou a empresa em referência não apenas de inovação, mas também de inclusão.
De balconista a CEO
A trajetória de Luiza Trajano mostra como aprendizado contínuo e disposição para inovar transformam uma pequena empresa regional em referência nacional. Desde os 12 anos, trabalhou como balconista em uma loja de varejo.
Passou pela gerência de múltiplas lojas enquanto estudava Direito até chegar à presidência, cada fase exigindo adaptação e coragem.
Ao abrir caminho como CEO em um mercado dominado por homens e antecipar tendências tecnológicas do varejo com risco calculado, ela provou que inovação não é questão de sorte, mas de visão e persistência.
Sua história mostra que grandes transformações começam com pequenos passos, como uma adolescente trabalhando em uma loja, que décadas depois revolucionaria a forma como o Brasil faz compras.










