O pernambucano Joaquim Patrício de Araújo completou 108 anos com uma história que atravessa décadas de trabalho, família e resiliência. O ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB) é reconhecido como o veterano vivo mais idoso da Segunda Guerra Mundial no Brasil.
Uma distinção que marca não apenas sua idade avançada, mas também o legado de uma geração que participou de um dos momentos mais decisivos da história. Sua trajetória começou em agosto de 1943, quando ingressou no Exército Brasileiro.
Após o treinamento, foi incorporado ao 4º Escalão da Força Expedicionária Brasileira, embarcando para a Itália em novembro de 1944 no navio americano General Meigs. Durante a campanha italiana, serviu no 1º Regimento de Infantaria e participou da batalha de Monte Castello, sua primeira batalha e um dos episódios centrais da presença militar brasileira no teatro europeu.
Do front ao retorno à vida civil
A volta ao Brasil ocorreu em agosto de 1945, encerrando um capítulo importante de sua vida. Ele deixou Nápoles em 12 de agosto e chegou ao Rio de Janeiro em 22 de agosto. Joaquim reconstruiu sua trajetória profissional contribuindo para o Departamento Nacional de Endemias Rurais e, posteriormente, trabalhando no setor de estiva do Porto de Recife, onde enfrentava desafios físicos diários.
Em 1948, casou-se com Carmelita Alves de Araújo, e os dois viveram 76 anos juntos, formando uma família com quatro filhas, seis netos e quatro bisnetos. Carmelita morreu em novembro de 2024, um dia antes de completar 100 anos, e deixou uma descendência que hoje atravessa várias gerações.
Os segredos da longevidade
Viver mais de um século está associado a uma combinação de elementos: genética, acesso a cuidados de saúde e, também, os hábitos construídos ao longo da vida. Pesquisas indicam que alimentação equilibrada, atividade física regular, atenção à saúde mental e relacionamentos familiares sólidos contribuem para um envelhecimento mais saudável e com melhor qualidade de vida.
Joaquim integra um grupo de brasileiros que chegaram a idades muito avançadas. Yolanda Beltrão de Azevedo, com 115 anos, é a terceira pessoa mais velha do país, e Beatriz Ferreira Duarte, também com 115 anos, é a segunda.
Sua trajetória serve como testemunho de uma geração que construiu suas vidas com resiliência e continua vivendo no tempo presente.










