Com um patrimônio avaliado em US$ 123,9 bilhões, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, superou Warren Buffett e Bill Gates no ranking dos indivíduos mais ricos do mundo. A empresa que ele fundou responde atualmente por mais de 50% de todo o comércio eletrônico norte-americano.
Esse resultado nasceu longe das telas e aplicativos que marcam o comércio atual. Para se dedicar a essa aposta, ele renunciou a uma posição relevante em uma gestora de investimentos em Nova York, em um momento em que o comércio pela internet ainda era visto com ceticismo pelo mercado financeiro.
Formação que moldou o empreendedor
Foi em Princeton que Bezos construiu sua formação, graduando-se nas áreas de engenharia elétrica e computação. Seu desempenho lhe garantiu participação em duas fraternidades de excelência, a Phi Beta Kappa e a Tau Beta Pi, além da presidência de um diretório dedicado à exploração espacial.
A formatura veio em 1986, com uma das melhores médias da turma. Essa bagagem técnica seria decisiva quando ele decidiu trocar a estabilidade do mercado financeiro por um negócio que ainda não existia.
Livros como porta de entrada no comércio
Livros foram escolhidos como ponto de partida porque são fáceis de vender, têm preço baixo e custam pouco para estocar, uma fórmula pensada para enfrentar redes como a Barnes & Noble. O pequeno catálogo inicial deu lugar a uma vitrine gigantesca, com vendedores externos e categorias que foram muito além da literatura.
Com o tempo, a companhia deixou de depender só do comércio eletrônico tradicional. Computação em nuvem, leitores digitais e plataformas de entretenimento passaram a integrar o portfólio, ampliando o alcance da marca para públicos distintos. A CNBC já classificou a Amazon como uma das empresas mais valiosas do mundo em sua cobertura sobre o mercado de tecnologia.
Expansão para outros investimentos
Esse crescimento sustentou uma fortuna pessoal superior a US$ 100 bilhões, patamar que permitiu a Bezos direcionar recursos para áreas além do varejo digital. Entre os investimentos estão a Blue Origin, companhia voltada à exploração espacial, e o jornal Washington Post, adquirido pelo empresário.
Pai de quatro filhos, ele encerrou em 2019 uma união de 25 anos com Mackenzie, em um processo que ficou conhecido como o divórcio mais caro já registrado. A separação aconteceu no auge de sua trajetória como um dos empresários mais influentes do mundo.
Raízes familiares em Albuquerque
A história pessoal do bilionário remonta a Albuquerque, no Novo México, onde nasceu em uma família marcada por rupturas precoces. Jacklyn Jorgensen, mãe do empresário, ainda cursava o ensino médio e tinha somente 18 anos quando ele nasceu. Seus pais biológicos se casaram em julho de 1963, quando tinham apenas 18 e 16 anos, respectivamente.
O casamento durou pouco: a separação dos pais biológicos aconteceu 17 meses depois do nascimento de Jeff. Do pai, identificado como Ted, o empresário não guarda nenhuma lembrança, já que o contato entre os dois se encerrou ainda na infância dele.
O reencontro que nunca aconteceu
Ted concordou com a adoção do filho por Miguel Bezos por acreditar que o garoto teria mais chances de uma vida digna ao lado do pai adotivo. A descoberta de que aquele filho distante havia se tornado o dono da Amazon só chegou a Ted em 2012.
O pai biológico de Bezos foi localizado e ouvido pelo jornalista Brad Stone, responsável pela obra que reconstitui a trajetória do empresário e da Amazon. Ted afirmou que gostaria de conhecer Jeff, mas que não buscaria ajuda financeira. O encontro jamais se concretizou, e ele morreu em 2015, aos 70 anos.
O pai que criou o bilionário
Quando Jeff tinha quatro anos, em abril de 1968, sua mãe se casou com o imigrante cubano Miguel Bezos, que o adotou formalmente e lhe deu o sobrenome. Miguel havia deixado Cuba aos 15 anos, fugindo do regime de Fidel Castro.
Sem falar inglês, ele reconstruiu a vida nos Estados Unidos depois de ser acolhido por uma missão católica em Delaware. Formou-se engenheiro de petróleo e trabalhou na Exxon, o que levou a família para o Texas durante a infância de Jeff.
Da fazenda no Texas à Flórida
Jeff passou parte da infância entre a rotina urbana e as temporadas na fazenda dos avós maternos, em Cotulla. O avô Lawrence, ex-diretor regional da Comissão de Energia Atômica, havia comprado ali uma propriedade de 100 km². Décadas depois, Bezos ampliou aquela fazenda para mais de 1.200 km².
Em Miami, ele conciliou um emprego no McDonald’s com a participação em um programa científico da Universidade da Flórida voltado a estudantes do ensino médio. A experiência combinou formação técnica e prática antes de Bezos deixar Wall Street para apostar em um comércio que ainda não existia.










