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Bilionário ligado ao Itaú, Pedro Moreira Salles estudou História e Economia nos Estados Unidos antes de assumir posições no banco da família

Por Milton Filho
05/11/2026
Bilionário ligado itaú pedro moreira

(Foto: Reprodução/Baker Library)

Antes de chegar ao centro das finanças da própria família, Pedro Moreira Salles viveu a infância dividida entre três países. Atualmente, ele ocupa a sexta posição entre os brasileiros mais ricos, segundo a lista de bilionários de 2026 da Forbes, que estima seu patrimônio em R$ 46,6 bilhões, alta em relação aos R$ 38 bilhões registrados na edição anterior do ranking, quando ele estava na sétima colocação.

Pedro veio ao mundo em Washington, em 1959, filho de Walther Moreira Salles, o banqueiro e diplomata que deu origem ao império financeiro que a família controla até hoje. Esse trânsito por diferentes países desde cedo resultou em um perfil raro entre banqueiros brasileiros, formado em três universidades espalhadas por dois continentes.

Uma infância dividida entre países

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A França foi o primeiro destino fora dos Estados Unidos: entre 1964 e 1968, Pedro morou no país europeu, foi alfabetizado em francês e estudou em colégio específico durante o período de moradia por lá. De volta ao Brasil, completou os estudos no Liceu Franco-Brasileiro, no Rio de Janeiro, antes de ingressar em Economia na Puc-Rio aos 17 anos.

Uma viagem pelos Estados Unidos ao lado do pai, feita para conhecer universidades americanas, mudou o rumo da formação. A Universidade da Califórnia, em Los Angeles — a UCLA —, acabou escolhida para a continuidade dos estudos, decisão que ampliou o leque de interesses do futuro banqueiro.

Economia, História e Relações Internacionais

Na UCLA, Pedro não se limitou ao diploma em Economia: formou-se também em História, combinação pouco usual para quem viria a comandar um dos maiores bancos do país. Em seguida, iniciou um mestrado em Relações Internacionais na Universidade Yale, onde estudou com o brasilianista Albert Fishlow.

No período acadêmico, teve também contato com Juan Linz, referência nos estudos sobre democracia e redemocratização. Essa bagagem ajudaria a explicar o interesse que surgiria pouco depois pela Política brasileira.

O desvio pela redemocratização

Uma visita ao Brasil em 1982 interrompeu o roteiro acadêmico nos Estados Unidos. O país vivia o processo de redemocratização, e o jovem então radicado fora acabou atraído pelo momento político, envolvendo-se em campanhas daquele período e optando por ficar.

A trajetória, no entanto, logo o reconduziria ao universo dos negócios da família. Em 1983, Pedro passou a trabalhar na Brasilpar, empresa da qual os Moreira Salles eram acionistas, embora por pouco tempo.

A passagem pelo agronegócio da família

Ainda em 1983, a mudança seguinte foi para a Fazenda Cambuhy, em Matão, no interior paulista, onde assumiu a missão de reformular a gestão do agronegócio familiar. A experiência funcionou como um treinamento fora do ambiente bancário, uma operação concreta ligada à terra e à produção, antes de qualquer cargo de comando no principal ativo financeiro da família.

Em 1985, voltou a São Paulo, onde passou a dividir com o irmão mais velho, Fernando Moreira Salles, a responsabilidade pela holding Brasil Warrant. Naquele momento, os negócios da família já se estendiam para muito além do banco: havia fatias na mineradora CBMM, na fabricante de celulose Aracruz e na rede de resorts Club Med, entre outros ativos.

A entrada no centro do Unibanco

Em 1989, Pedro tornou-se membro do conselho de administração do Unibanco, justamente no período em que o sistema financeiro brasileiro passava por uma das maiores transformações de sua história. Estabilização econômica, abertura de mercado e consolidação bancária redesenhavam o setor, criando vencedores e perdedores, e o Unibanco optou por disputar essa corrida entre os primeiros.

A compra dos ativos do Banco Nacional, em 1995, depois da intervenção do Banco Central, contou com participação direta de Pedro na coordenação da operação. O movimento consolidou de vez sua posição entre os principais nomes da instituição, ainda antes de chegar à presidência do conselho do próprio Unibanco.

Da presidência do conselho ao comando do banco

Antes de assumir a presidência executiva, Pedro presidiu o conselho de administração do Unibanco, posição que lhe deu domínio sobre a estratégia da instituição num momento de forte consolidação bancária no país. Esse trajeto explica por que, anos depois, ele manteve o papel de presidente do conselho mesmo após a fusão que uniu Unibanco e Itaú.

A permanência à frente do conselho, mesmo com a mudança de controle acionário, mostra como a família conseguiu preservar influência sobre as decisões do banco resultante da fusão. É esse histórico de trânsito entre bastidores políticos, agronegócio e alta gestão bancária que sustenta hoje a sexta colocação de Pedro Moreira Salles entre os brasileiros mais ricos.

Como a experiência agrícola preparou o executivo bancário

A passagem pela Fazenda Cambuhy não era um desvio na carreira de Pedro, mas uma escola prática de gestão. Ao assumir a reformulação do agronegócio familiar, ele aprendeu a operacionalizar decisões em um ambiente onde os resultados são concretos e mensuráveis, diferente da intermediação financeira. 

Essa experiência o preparava para depois gerir a holding Brasil Warrant e, posteriormente, assumir posições de comando no Unibanco com compreensão tanto de operações reais quanto de estruturas financeiras.

Quando o mestrado em Yale não foi concluído

Pedro iniciou o programa de Relações Internacionais em Yale, mas não o completou. O retorno ao Brasil em 1982, durante a redemocratização, interrompeu formalmente seus estudos acadêmicos. 

Essa ruptura mostra que, diferentemente do padrão esperado para herdeiros de famílias ricas, sua trajetória foi moldada por oportunidades históricas concretas. Neste caso, o momento político do país, e não apenas por um roteiro acadêmico predeterminado.

Por que Pedro não seguiu direto para o comando do Unibanco?

Apesar de ser herdeiro de um império financeiro construído por seu pai Walther Moreira Salles, Pedro passou por etapas intermediárias antes de chegar à presidência. Trabalhou na Brasilpar em 1983, depois na Fazenda Cambuhy reformulando o agronegócio, só então cuidando da holding Brasil Warrant em 1985. 

Apenas em 1989 integrou o conselho do Unibanco, e sua presidência do conselho veio apenas em 1997. Essa progressão gradual funcionou como um aprendizado que o preparava para o cargo máximo, garantindo que ele compreendesse tanto os negócios agrícolas quanto a estrutura patrimonial diversificada da família antes de comandar a instituição financeira central.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Milton Filho

Milton Filho

Jornalista, sergipano e coautor do livro 'Memórias do Esporte Clube Vitória: a história rubro-negra contada por seus personagens'

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