O empresário Ricardo Castellar de Faria apareceu pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes Brasil na edição do ano passado, ocupando a 21ª colocação com uma fortuna avaliada em R$ 17,45 bilhões. Entre os três novatos brasileiros no ranking daquela edição, ele foi o que acumulou o maior patrimônio.
Com 50 anos, ele comanda o Grupo Granja Faria, hoje a maior empresa do país em produção de ovos comerciais, ovos férteis e pintinhos de um dia, negócio que o transformou em uma referência do setor, apelidado de “Rei do Ovo”.
Ao longo de toda a trajetória profissional, Faria sustentou a tese de que o agronegócio deve crescer apoiado em escala de produção, eficiência operacional, sustentabilidade e cuidado com o bem-estar dos animais. Como presidente da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), participou ativamente de discussões sobre inovação, profissionalização e expansão internacional do setor.
Do Rio de Janeiro para o empreendedorismo no Sul
Nascido no Rio de Janeiro, Faria mudou-se para Criciúma, em Santa Catarina, quando criança, após seu pai, que era médico, ser transferido para atender vítimas de uma tragédia em 1974. Aos oito anos, já vendia picolés nas praias das férias para ganhar sua primeira renda.
Aos 15 anos, um intercâmbio na Califórnia mudou seu rumo. A escala e a organização da agricultura americana o impressionaram a ponto de abandonar os planos de cursar medicina e ingressar em Agronomia.
Durante a graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fundou a Lavebras, empresa especializada em higienização de têxteis e locação de uniformes, e ele vendeu a companhia em 2017.
A construção de um império avícola
Fundada em 2006 em Lauro Müller (SC), a Granja Faria transformou-se rapidamente em líder nacional. Hoje, a empresa emprega 2,7 mil funcionários em 34 unidades espalhadas por dez estados: Goiás, Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Tocantins, Espírito Santo e Rio Grande do Sul.
A produção diária alcança cerca de 16 milhões de ovos, além de pintinhos e ovos férteis. A empresa exporta para 17 países, entre eles Alemanha, África do Sul e Arábia Saudita.
Expansão global e novos empreendimentos
Em maio de 2024, Faria finalizou, por US$ 1,1 bilhão, a compra da Hillandale Farms, gigante americana do setor. A transação foi realizada pela holding Global Egg, sediada em Luxemburgo, que centraliza os negócios de produção de ovos do grupo em escala global. Faria defende a expansão do setor com foco em inovação, profissionalização da gestão e crescimento internacional.
A estratégia de internacionalização avançou ainda em 2025, quando Faria fechou a compra do Grupo HEVO, companhia espanhola que ocupa a segunda posição no setor de ovos do país, com faturamento próximo a 180 milhões de euros, 15 granjas, quatro milhões de aves e 500 funcionários.
Ao anunciar a operação espanhola, o empresário disse ao Forbes Brasil que a intenção é replicar no exterior o modelo de liderança já consolidado no Brasil, em cada país onde a companhia atuar. Além da Granja Faria e da Global Egg, Faria fundou a Insolo, dedicada à gestão agrícola em grãos e fibras, e a Fertifar, que atua em fertilizantes. Ambas integram a holding RCF Capital. Em março de 2026, a Warburg Pincus adquiriu participação na Global Egg, elevando o valor de mercado da empresa para US$ 40 bilhões.
Como funciona uma aquisição feita por uma holding
A compra da Hillandale Farms não foi feita diretamente pela Granja Faria, mas pela Global Egg, empresa sediada em Luxemburgo e controlada por Faria. O acordo somou US$ 1,1 bilhão. Na prática, essa estrutura permite que um grupo com operações em vários países concentre a gestão dos negócios de ovos em uma única companhia, com sede em outro país.










