Um fazendeiro tropeçou, em 1987, num osso enorme numa propriedade perto de Plaza Huincul, na Argentina, sem imaginar que havia encontrado um dos maiores animais que já pisaram a Terra. O Argentinosaurus, batizado anos depois, chegava a medir de 30 a 35 metros de comprimento e pesava entre 65 e 80 toneladas.
https://www.youtube.com/watch?v=9AU0Q8tz7N0O animal pertencia ao grupo dos Titanosauria, que dominou entre os saurópodes durante o período Cretáceo Superior, e viveu no território que hoje corresponde ao sul argentino. Apesar do porte descomunal, cientistas conhecem o Argentinosaurus apenas por fragmentos: vértebras, partes de um fêmur e pedaços do sacro formam quase todo o registro fóssil encontrado até hoje.
Guillermo Heredia foi quem avistou os primeiros ossos em sua fazenda “Las Overas”, a 8 km de Plaza Huincul, na província de Neuquén. Ele imaginou ter achado troncos petrificados e acionou o Museu Carmen Funes, responsável por recolher o material para a sala de exposições local.
Como os ossos chegaram aos museus
José Fernando Bonaparte comandou, em 1989, uma escavação maior no mesmo sítio, reunindo paleontólogos do Museu Argentino de Ciências Naturais para ampliar a coleta de fósseis. Martelos pneumáticos foram necessários porque a rocha ao redor dos ossos era extremamente dura, o que deixou o trabalho de extração lento e delicado.
O espécime, catalogado como MCF-PVPH 1, acabou virando o holótipo da espécie batizada de Argentinosaurus huinculensis. Bonaparte e o paleontólogo Rodolfo Coria assinaram juntos a descrição do gênero em 1993, escolhendo o nome em homenagem ao município onde tudo começou.
Dúvidas sobre o tamanho real
Com tão poucos ossos preservados, reconstruir a anatomia completa do animal exige interpretação cuidadosa por parte dos pesquisadores. Parte da discussão entre especialistas gira em torno de onde cada vértebra se encaixava na coluna e se havia articulações extras reforçando a estrutura óssea.
Um modelo computacional que simulou esqueleto e músculos calculou que o Argentinosaurus alcançava velocidade máxima de 7.2 km/h, usando um tipo de passo em que os membros do mesmo lado do corpo avançavam juntos. Essa movimentação lenta combina com o porte gigantesco do animal, que precisava sustentar o próprio peso a cada passada.
A Formação Huincul, de onde vieram os fósseis, também abrigou o terópode gigante Mapusaurus, revelando um ecossistema com predadores à altura de presas tão grandes. A datação da camada rochosa situa esse período entre 97 e 93.5 milhões de anos atrás.
O debate sobre o maior dinossauro
A disputa pelo título de maior dinossauro já catalogado nunca foi unânime entre os pesquisadores. Puertasaurus, Futalognkosaurus, Dreadnoughtus, Paralititan e outros foram considerados de tamanho comparável ao Argentinosaurus por alguns estudos, embora outros os tenham considerado notavelmente menores.
Em 2017, pesquisadores consideraram o Argentinosaurus menor que o Patagotitan devido à área maior delimitada pela espinha neural de suas vértebras. No entanto, em 2019, isso foi revisado e o Argentinosaurus foi considerado maior que o Patagotitan, graças à coluna dorsal consideravelmente mais longa deste último.
Alguns saurópodes, como o Maraapunisaurus e um gigante da família Mamenchisauridae, podem ter superado o Argentinosaurus em porte, embora restem deles apenas vestígios escassos. Diplodocídeos como o Supersaurus e o Diplodocus talvez tenham sido mais compridos, mas eram bem menos pesados que o titanossauro argentino.
A baleia-azul, cujo peso pode passar de 150 toneladas, ainda supera em massa qualquer um desses saurópodes gigantes.
Um gigante ainda incompleto
Passadas quase quatro décadas desde a descoberta de Heredia. O Argentinosaurus segue sendo estudado a partir de um punhado de ossos guardados no Museu Carmen Funes e no Museu Argentino de Ciências Naturais.
Publicações como o Journal of Vertebrate Paleontology , o Journal of Systematic Palaeontology e o Journal of the Linnean Society têm servido de base para debates sobre a anatomia e a Classificação desse titanossauro, enquanto pesquisas ligadas à University of Manchester, à Indiana University, à Princeton University, à Johns Hopkins University e a trabalhos publicados pela University of California Press ajudaram a discutir como esses animais se moviam e cresciam.
Estudos de biomecânica publicados no Journal of Experimental Biology também embasaram as tentativas de calcular a velocidade e a postura do Argentinosaurus a partir de modelos computacionais do esqueleto. Cada fragmento novo encontrado na Formação Huincul pode reacender a discussão sobre o verdadeiro tamanho desse animal.
Enquanto nenhum esqueleto mais completo for descoberto, as estimativas de 65 a 80 toneladas seguem sendo a melhor aproximação disponível para medir a escala desse titanossauro que viveu no sul da Argentina.










