A boina pontiaguda, o colete justo e o sobretudo pesado usados pela família Shelby na série Peaky Blinders viraram referência para quem busca uma fantasia de Halloween sem recorrer a máscaras ou fantasias prontas. O seriado estreou em 2013, está disponível na Netflix e construiu sua identidade a partir desses detalhes de estilo.
A trama começa em 1919, logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, na cidade inglesa de Birmingham, e acompanha os negócios obscuros da gangue Shelby. Para boa parte do público, porém, o interesse não está apenas na trama criminosa, mas também no visual dos personagens, que serve de referência para montar um visual retrô masculino.
A boina que batiza a própria série
Poucos acessórios carregam tanto peso simbólico quanto a boina usada pelos Shelby. O próprio nome da produção vem dela: “peaky” remete ao chapéu com pico, enquanto “blinder” descreve alguém de aparência impecável. Juntas, as duas palavras resumem o estilo da gangue.
Circula a versão de que o termo “blinder” estaria ligado a lâminas costuradas na aba do boné, transformando o acessório em arma. A teoria é considerada apócrifa, porque as lâminas de barbear substituíveis só surgiram em 1903, tempo insuficiente para que o costume se consolidasse antes da época retratada na série.
Na organização criminosa real, os integrantes usavam boinas pontiagudas como marca registrada do grupo. A peça funcionava como identidade visual e os diferenciava nas ruas.
Casacos, botas e a gravata de Arthur
Um sobretudo de lã aparece em quase todo o figurino masculino da série, em sintonia com o clima frio da Inglaterra do pós-guerra. No Brasil, onde dias frios são raros fora do Sul, a peça pode ser adaptada para uma versão mais leve sem perder a sobriedade do visual.
Botas de cano médio, no estilo Chelsea e com solado grosso, completam o visual com o sobretudo. A gravata borboleta aparece sobretudo no figurino de Arthur Shelby, irmão mais velho de Thomas Shelby, protagonista da trama, e o acessório acrescenta um toque executivo ao visual vintage.
Cabelo e acessórios para fechar o look
O corte undercut identifica os personagens tanto quanto a roupa. Raspado nas laterais e na nuca, com camadas sutis no topo, o penteado é prático no dia a dia e continua popular nas barbearias, embora remeta à década de 1920.
O relógio de bolso é provavelmente o item mais difícil de encontrar hoje: poucas lojas vendem o modelo, e seu uso deixou de fazer parte da rotina. Pulseiras de ouro ou um relógio de pulso de design clássico são alternativas que cumprem função semelhante e mantêm o toque elegante sem depender de uma peça rara.
O colete amarra o conjunto e combina com camisa simples, terno completo ou sobretudo. Com boina, colete, sobretudo e botas, é possível montar uma fantasia de Halloween inspirada nos Shelby sem máscara, com atenção aos detalhes que a série popularizou.
Os Peaky Blinders usavam a roupa para se identificar deliberadamente como grupo. Casacos feitos à medida, sobretudos com lapela, coletes abotoados e boinas pontiagudas criavam uma marca visual, além de reforçar o pertencimento e a hierarquia interna. O vestuário, portanto, não era apenas estético: comunicava poder, status e lealdade dentro da organização criminosa.
Como a Primeira Guerra Mundial transformou a moda masculina que vemos em Peaky Blinders
A moda dos anos 1920 refletiu as mudanças sociais provocadas pela Primeira Guerra Mundial. Antes dela, os homens usavam roupas formais e pesadas, associadas à rigidez e à autoridade. Depois da guerra, o ideal mudou: o homem austero e paternal deu lugar a uma figura mais jovem, leve e bem-apessoada. A transformação refletia o desejo de maior descontração na sociedade.
No mesmo período, a moda masculina viveu uma “grande renúncia”: os homens deixaram de lado cores vibrantes e o luxo ostentatório e adotaram trajes sóbrios, escuros e austeros como símbolo de valores burgueses. O sobretudo pesado, a gravata discreta e os tons neutros dos Shelby refletem esse período de reconstrução e modernização do pós-guerra.
Por que os homens nos anos 1920 deixaram de lado a barba e os pelos faciais
Na década de 1920, os cuidados pessoais masculinos também mudaram. Os pelos faciais quase desapareceram e, quando permaneciam, precisavam ser aparados com precisão. A transformação acompanhou a modernização da aparência masculina no pós-guerra: o ideal deixou de ser o homem barbudo e tradicional e passou a valorizar o homem jovem e bem cuidado. Ideal refletido no undercut dos personagens de Peaky Blinders.










