O ator e diretor Sylvester Stallone não foi ao funeral da mãe, que aconteceu em 2020, quando ela faleceu aos 98 anos de idade. Em entrevista ao Page Six, ele explicou que anos de mágoas acumuladas o afastaram definitivamente de Jackie Stallone antes da morte dela.
O relato aparece no livro de memórias do ator, intitulado “The Steps” (“Os Degraus”), lançado para detalhar episódios que ele guardou por décadas. Jackie trabalhou como astróloga e ganhou projeção ao participar do “Big Brother” britânico com celebridades em 2005. Ela morreu aos 98 anos, em 21 de setembro de 2020.
Uma notícia recebida no meio de um jogo de golfe
Stallone jogava golfe quando recebeu o telefonema que informou a morte da mãe. Ele disse que o vínculo entre os dois já havia se desfeito muito antes, a ponto de ela recusar qualquer contato nos últimos tempos.
O afastamento se consolidou ao longo de anos, e Stallone, hoje com 80 anos, relatou que Jackie chegou a um ponto em que simplesmente não queria mais falar com ele, sem chance de reaproximação. As memórias do astro voltam à própria origem da relação, marcada por frases duras ouvidas ainda criança.
Segundo ele, a mãe insinuava lamentar o fato de ele ter nascido, em uma referência direta a uma tentativa de aborto frustrada. Os comentários deixaram marcas que ele carregou até a vida adulta. A falta de acolhimento nos primeiros anos criou a distância emocional que definiu sua relação com a mãe.
Atritos que chegaram até a noite do Oscar
A tensão entre os dois também interferiu na vida profissional do ator. Em março de 1977, “Rocky, Um Lutador” ganhou o Oscar de melhor filme, mas Jackie não esteve presente na cerimônia.
Jackie não foi à cerimônia porque Stallone não autorizou que o cabeleireiro dela a acompanhasse, e ela optou por não comparecer sozinha. Para o ator, o episódio simbolizou como o desgaste entre os dois ultrapassava as celebrações profissionais.
A visão do ator sobre a personalidade da mãe
Ao tentar entender a origem do conflito, Stallone formulou uma interpretação pessoal sobre a mãe. Para ele, algumas pessoas não têm preparo emocional para exercer a maternidade, e Jackie talvez reconhecesse essa limitação em si mesma.
O ator descreveu a mãe como imatura e desejosa de ser estrela. Disse que algumas pessoas simplesmente não deveriam ter filhos e que acreditava que ela mesma sabia disso. Segundo Stallone, essas características comprometeram a capacidade dela de oferecer afeto. Stallone buscou elaborar essa distância emocional ao escrever sobre a própria história.
Ao publicar esses episódios em “The Steps”, Stallone transforma décadas de silêncio em um relato público sobre uma ferida que nunca cicatrizou por completo.
Por que o livro foi escrito como um manual de autoajuda
“The Steps” não é apenas uma biografia tradicional. O livro segue a linha de memórias de celebridades que funcionam como manuais de autoajuda, com anedotas e “insights valiosos e sabedoria prática”. As revelações sobre a mãe fazem parte de uma reflexão maior sobre como Stallone superou desafios pessoais ao longo da vida.
A editora explicou que a obra representa “a culminação de décadas de reflexão” e acompanha a trajetória de Stallone desde os 12 anos, quando ele sonhava em ser herói. O livro mostra como enfrentou e abraçou os desafios “passo a passo”, transformando mágoas em lições de resiliência e determinação.
Quando o distanciamento acontece mesmo fora do ambiente familiar
O atrito entre Stallone e Jackie não ficou restrito ao que acontecia nas paredes de casa. Um exemplo disso foi a noite do Oscar de 1977, quando “Rocky” venceu na categoria de melhor filme, um marco profissional que deveria ser celebrado em família.
Mas Jackie não compareceu porque Stallone recusou que o cabeleireiro da mãe entrasse na cerimônia, e ela optou por não ir sozinha. Nessa situação, o desconforto familiar se estendeu ao espaço público, mostrando que o desgaste emocional entre eles era tão profundo que conseguia ofuscar até mesmo os grandes momentos de sucesso.










