No Brasil, adoçar o café, os sucos e as sobremesas é um costume presente na rotina de muitas pessoas, mas existem cinco alternativas que podem ocupar esse lugar na alimentação. Açúcar refinado, mascavo, mel, adoçantes artificiais e edulcorantes naturais apresentam características e composições diferentes, além de provocar efeitos variados no organismo. Por isso, a escolha do produto pode influenciar o consumo de calorias, o controle do peso e indicadores de saúde avaliados em exames periódicos.
A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) mostra que boa parte da população ultrapassa os 50 gramas de açúcar por dia — o equivalente a 10 colheres de chá — limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde. Compreender as diferenças entre essas 5 formas de adoçar ajuda a reduzir excessos sem abrir mão do sabor.
1. Açúcar refinado
A versão mais comum nos açucareiros brasileiros se dissolve com facilidade em líquidos quentes ou frios, o que explica sua presença constante no cafezinho e nos sucos. A nutricionista Renata Juliana da Silva, professora da ETEC Uirapuru — Centro Paula Souza e vice-presidente da Associação Paulista de Nutrição, destaca essa praticidade de incorporação às preparações.
Apesar da conveniência, a recomendação é experimentar café e suco sem adoçar, percebendo o sabor original de cada ingrediente. Reduzir a quantidade de colheradas já representa um ganho para quem busca cortar o excesso diário.
2. Açúcar mascavo
Menos processado que o refinado, o mascavo mantém parte dos nutrientes da cana-de-açúcar durante a fabricação. A cor mais escura e o sabor com notas de caramelo vêm justamente dessa etapa reduzida de refino.
Ainda assim, do ponto de vista calórico, a diferença em relação ao açúcar branco é pequena. Trocar um pelo outro não resolve o problema do consumo elevado — o cuidado precisa estar na quantidade total usada nas receitas.
3. Mel
Rico em frutose, açúcar encontrado naturalmente nas frutas e também no mel produzido pela Apis Mellifera, o alimento tem poder de dulçor elevado e por isso é usado em pequenas quantidades. Essa característica faz dele uma opção interessante para quem quer adoçar com menos volume.
O mel carrega também compostos que vêm das flores visitadas pelas abelhas, o que resulta em variações de aroma e sabor entre diferentes tipos. Mesmo com esse diferencial, moderação continua sendo a palavra de ordem, já que o impacto calórico existe.
4. Adoçantes artificiais
Produtos sintéticos como os usados em bebidas diet e light prometem dulçor sem calorias, mas vêm acompanhados de desconfiança por parte de consumidores. A polêmica em torno de alguns compostos despertou atenção nos últimos anos, especialmente quanto a efeitos no organismo em uso contínuo.
A nutricionista Desire Coelho, especialista em transtornos alimentares e colunista do Pulsa, pondera que quem está com exames em dia, sem nenhuma alteração, pode usar esses produtos com moderação. A orientação vale tanto para bebidas quanto para receitas que pedem baixa caloria.
5. Edulcorantes naturais
Estévia e outras opções de origem vegetal ganharam espaço como alternativa aos artificiais, por serem extraídas de plantas em vez de sintetizadas em laboratório. A promessa de dulçor sem açúcar e sem química sintética atrai quem busca substitutos mais naturais.
A nutricionista Tarcila Campos, do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, recomenda observar os rótulos antes de qualquer escolha. Esse olhar atento ajuda a identificar misturas com outros ingredientes que podem reduzir o benefício esperado.
Doces e bebidas adoçadas não substituem uma refeição nem matam a fome de verdade — o consumo ideal é ocasional, qualquer que seja a opção escolhida entre as 5 citadas. Ler o rótulo antes de comprar continua sendo o hábito mais simples para quem quer equilibrar sabor e saúde no dia a dia.










