Conhecida por capturar insetos ao fechar rapidamente suas folhas, em uma ação que ocorre em frações de segundo, a dioneia utiliza um mecanismo que não depende da água, contrariando uma teoria aceita há mais de 100 anos. A descoberta foi feita por cientistas do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França e da Universidade de Aix-Marselha, em um estudo divulgado na revista Science.
O físico Yoël Forterre, autor principal do trabalho, afirmou que a espécie continua surpreendendo mesmo após mais de um século de observação científica. Segundo ele, ainda existem descobertas fundamentais a fazer sobre o funcionamento dessa armadilha vegetal tão estudada.
Como a dioneia prende suas presas
Nativa de uma faixa restrita de território entre a Carolina do Norte e a Carolina do Sul, nos Estados Unidos, essa planta cresce em solo pobre em nutrientes. Para compensar essa limitação, ela captura e digere pequenos insetos que pousam sobre suas folhas modificadas.
A superfície interna de cada lóbulo conta com pelos sensíveis que disparam o processo. A armadilha só reage quando um inseto toca essas estruturas duas vezes em um curto intervalo, e o fechamento completo leva apenas um décimo de segundo.
O motor escondido na parede celular
Durante décadas, acreditou-se que o movimento dependia de água se deslocando entre células, inchando um lado da folha até provocar o fechamento. Os experimentos em Marselha, com imagens de alta velocidade e testes mecânicos de indentação, descartaram essa explicação ao medir diretamente o transporte hídrico no tecido vegetal.
Forterre descreveu a armadilha como algo já carregado de energia antes mesmo de ser tocada, funcionando como uma mola comprimida. Ao ser estimulada, as paredes celulares da camada epidérmica externa amolecem rapidamente, perdendo entre 30 e 40% de sua rigidez em cerca de um segundo.
Tensão liberada em instantes
Esse amolecimento repentino solta tensões que estavam acumuladas dentro do próprio tecido da planta. É esse alívio de força interna que faz os dois lóbulos se dobrarem e se fecharem sobre o inseto, selando sua sorte.
A física Jeongeun Ryu, pesquisadora de pós-doutorado envolvida no estudo, disse que medir a mecânica da folha viva enquanto ela respondia permitiu identificar o motor interno que a leva além do limite de instabilidade e desencadeia seu fechamento repentino.
Depois de capturar a presa, a dioneia passa dias digerindo o inseto com enzimas secretadas até absorver o líquido rico em nutrientes. Só então a armadilha volta a se abrir, pronta para capturar outra presa.










