Aos 52 anos, Olivia Falcon, editora de beleza britânica e fundadora de The Editor’s List, testou o XERF, dispositivo de rejuvenescimento que virou o queridinho da modelo e influenciadora Kim Kardashian. O procedimento promete reafirmar a pele e reduzir a flacidez, mas a experiência dela mostrou que dói bastante, em contraste com o relato da celebridade.
O XERF não é um laser, mas um aparelho que usa energia de radiofrequência monopolar em duas frequências: 6,78 MHz e 2 MHz. O dispositivo atua nas camadas superficiais da pele e na musculatura que os cirurgiões puxam e reafirmam em procedimentos de lifting facial mais invasivos.
Como funciona o procedimento
O calor controlado do equipamento contrai as fibras de colágeno existentes e ativa o mecanismo natural de reparo da pele. Esse estímulo gera novo colágeno, deixando o rosto mais firme por aproximadamente 12 a 18 meses.
Kim Kardashian se submeteu ao tratamento em fevereiro em um spa da Califórnia e declarou ao Dailymail que esse era seu novo laser de reafirmação favorito, acrescentando que não dói. A editora britânica, porém, discorda dessa avaliação.
A experiência real da editora
A editora diz que seu trabalho — dirigir um serviço de consultoria em beleza que ajuda mulheres a tomar decisões informadas sobre procedimentos estéticos — a expõe a um escrutínio maior que o da maioria, especialmente nas redes sociais. Ela se queixa principalmente de inchaço sob os olhos, de uma pequena, mas perceptível, queda sob o queixo e de uma aparência frequente de cansaço, que afeta sua imagem profissional.
Antes do tratamento, em uma clínica de Primrose Hill, em Londres, Olivia foi orientada a chegar bem hidratada. A radiofrequência viaja com mais eficiência por tecidos ricos em água e se distribui de forma mais uniforme, o que aumenta o conforto. Ela, porém, fez o oposto: tomou apenas uma xícara de café e quase não bebeu água porque estava com pressa e havia falta de pessoal no escritório.
O que mudou após a sessão
Apesar da preparação inadequada, a editora relatou uma melhora visível e imediata após o procedimento. A pele ficou mais firme, sobretudo nas áreas mais carnudas do rosto. Ela também descobriu que alguns pontos da face eram mais sensíveis durante a aplicação do que havia previsto.
Sua conclusão é que o XERF funciona, mas o tratamento provoca um incômodo significativo, bem diferente da experiência descrita por Kardashian. Para quem busca reafirmação facial sem cirurgia, o dispositivo entrega resultados concretos, embora provoque mais desconforto do que a celebridade sugeriu.
Por que a hidratação muda a experiência do tratamento
A radiofrequência do XERF se desloca por tecidos ricos em água. Quando a pessoa chega bem hidratada, a energia se distribui de forma mais uniforme pela pele, alcança áreas maiores e concentra menos calor em um único ponto. Isso explica por que o desconforto varia tanto durante o procedimento: não depende apenas da tolerância à dor, mas também de como o corpo recebe a energia.
No caso da editora, a falta de hidratação fez a radiofrequência se concentrar em áreas específicas, como a mandíbula e o pescoço, e criou a sensação de “nervo sendo puxado”. Com mais água nos tecidos, a mesma energia se espalharia de forma mais uniforme e reduziria os picos localizados de desconforto.
O que significa concordar com celebridades sobre procedimentos estéticos
Quando Kim Kardashian afirma que o XERF “não dói nada”, pode estar descrevendo com precisão a própria experiência. Mas essa mensagem cria uma expectativa para milhões de pessoas que veem a publicação. A editora descobriu que o mesmo procedimento pode ser mais doloroso dependendo de fatores que ninguém mencionou: a preparação, a sensibilidade em diferentes áreas da face e até o nível de hidratação no dia.
Na prática, relatos de celebridades sobre procedimentos estéticos servem mais como inspiração do que como guia. O XERF funciona para reafirmar a pele, mas a experiência pessoal pode ser muito diferente da mostrada em um vídeo de Instagram, sem que isso signifique que alguém esteja mentindo.
O ciclo anual das tendências em procedimentos estéticos
Novos tratamentos de beleza seguem um padrão previsível para se tornar populares. A cada ano, um procedimento começa discretamente em consultórios de Los Angeles, Seul ou Nova York. Depois, uma celebridade publica um vídeo no Instagram, e muitas mulheres de meia-idade ligam para marcar uma consulta com o dermatologista.
No ano anterior ao XERF, os Polinucleotídeos (injeções de esperma de salmão) ocupavam o lugar de “tratamento quente da vez”. A editora acompanha essa dinâmica porque seu trabalho — ajudar mulheres a tomar decisões informadas sobre procedimentos estéticos — a coloca no centro dessa conversa. Ela já passou por centenas de tratamentos, de Sofwave a Ultherapy Prime, acompanhando de perto essa indústria de tendências contínuas.










