Na noite de 23 de janeiro de 1556, um terremoto devastou a província de Shaanxi, na China, matando aproximadamente 830 mil pessoas — a maior tragédia sísmica de que se tem registro. O desastre não ocorreu porque foi o tremor mais forte já documentado, mas pela convergência de circunstâncias que ampliaram extraordinariamente o impacto humano.
O abalo atingiu tarde da noite, quando a população dormia em habitações frágeis, e réplicas continuaram até a manhã seguinte. A magnitude registrada foi entre 8,0 e 8,3 — menor que outros sismos posteriores, como os da Península de Kamchatka em 1952, do Alasca em 1964 e de Sumatra em 2004, todos superiores a 9,0 na escala Richter.
O alto número de vítimas resultou da combinação entre a grande densidade populacional e as construções precárias da região.
A localização e a destruição sem precedentes
O epicentro localizou-se no Vale do Rio Wei, entre as cidades de Huaxian, Weinan e Huayin. Em Huaxian, todas as construções desabaram, matando mais da metade dos habitantes — um número estimado em dezenas de milhares de pessoas, e weinan e Huayin também sofreram destruição total semelhante.
A destruição atingiu uma área superior a 1.300 quilômetros quadrados, e fendas de até 18 metros de profundidade se abriram no solo em diversos locais. Deslizamentos de terra provocados pelo sismo também causaram mortes, e cidades a até 300 quilômetros do epicentro sofreram perdas significativas.
Por que o número de mortos foi tão elevado
A população local vivia em cavernas artificiais escavadas nos penhascos de Loess, estruturas que desabaram durante o abalo. A fragilidade das habitações, o horário tardio do tremor e a densidade populacional da região elevaram o número de vítimas.
Registros indicam que mais de 97 condados em dez províncias foram afetados, com 60% da população de alguns desses condados perecendo no evento. Mesmo que o número de mortos tenha sido ligeiramente superestimado, o terremoto de Shaanxi continuaria sendo o desastre mais mortal da história, por uma margem ampla.










