Geladeiras e máquinas de lavar com selo chinês devem ganhar fábrica própria em solo brasileiro. A Hisense, hoje dependente de importações nessas duas linhas, estuda montar produção nacional, enquanto a Haier, que entrou oficialmente no país neste ano, planeja expandir sua manufatura local em etapas.
O setor como um todo já comprometeu mais de R$ 7 bilhões em novas plantas ou ampliações desde 2022, de acordo com a associação.
Concorrentes que já saíram na frente
A sul-coreana LG e a chinesa Midea abriram esse caminho antes das rivais asiáticas. A LG começou a produzir geladeiras no Brasil neste ano, enquanto a Midea fabrica refrigeradores e máquinas de lavar em Minas Gerais desde o fim de 2024.
A leitura da entidade é que as marcas internacionais entenderam que não dá para sustentar o abastecimento de mercados como o brasileiro só com fábricas no país de origem — e o território nacional vem sendo tratado como destino seguro para esse tipo de investimento.
Importação cresce apesar das novas fábricas
Os aportes em produção local acontecem junto com um salto expressivo das compras externas. Há oito anos, os produtos importados respondiam por cerca de 5% do mercado brasileiro de geladeiras e lavadoras; hoje essa fatia já roça os 20%. Dois fatores explicam esse avanço: o custo de produzir no Brasil e o frete mais barato vindo da Ásia.
Levantamento feito no Comex Stat. Sistema de estatísticas de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, mostra a escala desse movimento — de janeiro a agosto deste ano entraram no país 1,05 milhão de refrigeradores. Mais de nove vezes o volume do mesmo período de 2018, e 933 mil máquinas de lavar, 5,6 vezes mais que em 2018.
Primeiro recuo das importações
Mesmo com esse histórico de alta, os refrigeradores importados tiveram queda em 2026, a primeira desde 2022. O volume caiu 4,6% nos oito primeiros meses do ano ante igual intervalo de 2025.
A fábrica de geladeiras da LG em Fazenda Rio Grande, no Paraná, inaugurada no segundo semestre, recebeu R$ 1,5 bilhão em investimentos. E tem capacidade para produzir mais de 600 mil unidades por ano. A fabricação em território nacional corta em até 80% o prazo de entrega ao varejo.
Expansão da produção em Minas Gerais
A Midea Carrier, que se define como a terceira maior fabricante de eletrodomésticos do país. Opera em Pouso Alegre, em Minas Gerais, desde o fim de 2024, produzindo geladeiras e máquinas de lavar. A fatia da marca no mercado de lavadoras subiu 6 pontos percentuais depois que a planta entrou em operação.
Novos investimentos estão previstos para ampliar a capacidade tanto em Pouso Alegre quanto em Manaus. Enquanto isso, a linha branca da Hisense segue vindo de fora, mas a companhia. Já avalia internalizar essa produção nos próximos anos, de olho no mesmo movimento que já atraiu LG, Midea e, agora, a própria Haier.








