Sapezal, no oeste de Mato Grosso, assumiu a liderança nacional em valor de produção agrícola em 2025, encerrando seis anos de domínio de Sorriso. São Desidério, na Bahia, assumiu a segunda posição, enquanto Sorriso caiu para terceiro lugar com R$ 8,16 bilhões gerados pelas lavouras.
Com base nos dados da PAM — Pesquisa da Produção Agrícola Municipal 2025, divulgados pelo IBGE em 17 de setembro, a agricultura brasileira se reorganizou. A produção agrícola total do país somou R$ 927,2 bilhões, um crescimento de 18,4% frente a 2024.
Sapezal lidera com força do algodão
Sapezal fechou 2025 com R$ 8,59 bilhões em valor de produção agrícola, superando São Desidério, que registrou R$ 8,22 bilhões. O algodão foi o grande impulsionador dessa ascensão: a fibra respondeu por R$ 5,13 bilhões da produção local, enquanto a soja somou R$ 2,8 bilhões e o milho contribuiu com cerca de R$ 657 milhões.
O crescimento de 46,6% em relação a 2024 reflete a diversificação produtiva do município. Localizado no oeste mato-grossense, Sapezal ocupa uma região consolidada em grãos e fibras. Por isso, não depende de uma única cultura para sustentar sua economia, mesmo com variações de mercado.
Concentração em dez cidades marca o agro Brasileiro
Os dez municípios com maior valor de produção concentram R$ 65,9 bilhões, o equivalente a 7,1% de tudo o que as lavouras brasileiras geraram em 2025. Cinco ficam em Mato Grosso, três em Goiás e dois na Bahia. Esse padrão resulta de décadas de expansão territorial e aumento de produtividade nessas regiões.
Mato Grosso isoladamente respondeu por R$ 165,6 bilhões da produção nacional, o maior montante entre os estados. O Centro-Oeste como região atingiu R$ 288 bilhões em 2025, ultrapassando o Sudeste na corrida pelo polo agrícola mais rico do país.
Soja mantém supremacia no ranking
Embora Sapezal deva sua liderança ao algodão, a soja aparece na maioria dos municípios no topo da lista. O grão gerou R$ 315,2 bilhões no país em 2025 — cerca de um terço de toda a produção agrícola brasileira — e liderou o ranking de culturas por valor.
A prevalência de produtores de soja, algodão e milho em Mato Grosso, Goiás e no oeste baiano explica a concentração geográfica da riqueza agrícola. Essas regiões ampliaram sistematicamente a área plantada e a produtividade, tornando-se centrais na exportação de commodities brasileiras.
Sorriso segue forte apesar da queda
A terceira colocação não representa declínio na atividade agrícola de Sorriso. O município registrou R$ 8,16 bilhões em produção agrícola, mas foi ultrapassado por concorrentes que cresceram mais rápido.
A queda ocorreu também por razões administrativas: Boa Esperança do Norte, instalado em 2025, incorporou parte do antigo território de Sorriso, transferindo parcela da produção agrícola para as estatísticas do novo município.
Assim, a terceira colocação de Sorriso não representa perda equivalente de atividade econômica na região. A reorganização administrativa manteve a relevância do município no agro brasileiro.








