Um casal britânico descobriu que o processo de adoção internacional em que havia investido mais de £22 mil era um golpe. Caitlyn Otte, de 34 anos, e o marido, Adam, de 36, acreditavam estar a semanas de receber um menino a quem já haviam dado o nome de Samuel Thomas. Eles preparavam um quarto decorado com temas infantis clássicos para a criança.
O casal pensava estar perto de realizar o sonho que os motivava desde o casamento. Caitlyn, professora, sempre desejou ser mãe, e a impossibilidade de engravidar após exames de fertilidade levou o médico a sugerir fertilização in vitro. Mas ela não podia se submeter ao procedimento por causa da medicação de longo prazo necessária para tratar um transtorno do sono.
Depois de contatar a mesma agência que a prima havia utilizado com sucesso, o casal passou a considerar a adoção como uma alternativa viável.
O caminho para a adoção internacional
No Reino Unido, autoridades locais ou agências de adoção registradas organizam os processos. Também é ilegal que pessoas façam acordos financeiros com mulheres grávidas. Cerca de 100 bebês são adotados por ano por pais britânicos em outros países, onde as leis são diferentes.
Nos Estados Unidos, onde o casal buscava adotar, os pais adotivos podem trabalhar com agências governamentais ou por meio da adoção privada. Nesse modelo, a mulher grávida e o casal fazem seus próprios acordos, muitas vezes antes do nascimento da criança. Em todos os estados, a mulher grávida pode mudar de ideia, independentemente do suporte financeiro recebido.
O sistema é complexo, envolvendo agências de adoção com fins lucrativos, advogados e intermediários, com leis que variam de estado para estado. Houve casos judiciais envolvendo mulheres que se passaram por futuras mães ou que estavam grávidas e prometeram o mesmo bebê a múltiplos casais em troca de despesas de vida.
Um sistema vulnerável a fraudes
Pais adotivos como Caitlyn e Adam costumam ajudar a mãe biológica com despesas de vida e médicas, que podem chegar a dezenas de milhares de dólares. Críticos argumentam que o sistema pressiona mulheres a entregar filhos que gostariam de manter e incentiva pessoas sem escrúpulos a cometer fraude.
O golpe afetou sobretudo o casal emocionalmente. Caitlyn informou ao jornal Daily Mail que não consegue entrar no quarto que preparou, porque as decorações de Ursinho Pooh e a placa de madeira com o nome Samuel Thomas a fazem chorar. Ela afirmou que, quando decorou o cômodo, estava cheia de esperança e que agora ele apenas a lembra do que perderam.
A perda financeira, embora significativa, é secundária à perda emocional do filho que imaginavam criar. O golpe também abalou a confiança do casal, e Caitlyn disse que a experiência os quebrou completamente.
Segundo ela, os dois confiavam nos outros e acreditavam que a maioria das pessoas era genuinamente boa, mas agora sentem que não podem mais confiar em ninguém fora da família. A experiência transformou a visão do casal sobre as relações humanas.










