Um dia antes de embarcar na tragédia que marcaria a história, em 13 de abril de 1912, Alexander Oscar Holverson dedicou parte da noite a redigir uma carta destinada à mãe. O texto se tornaria um dos documentos mais comoventes do naufrágio do Titanic, que vitimou cerca de 1500 pessoas. Nas linhas escritas, ficaram registradas as impressões do vendedor que viajava na primeira classe, pouco antes do episódio que entraria para sempre na história da navegação.
Cerca de um dia mais tarde, próximo das 23h40 de 14 de abril, a embarcação se chocou contra um bloco de gelo nas proximidades da ilha canadense de Newfoundland. Tido como incapaz de afundar, o Titanic acabou submerso pelas águas gélidas do Atlântico Norte já nas primeiras horas do dia 15 de abril. Holverson, e Mary Aline Holverson, sua esposa, estavam entre os resgatados.
Quem era Alexander Oscar Holverson
Holverson nasceu no Condado de Douglas, nos Estados Unidos, onde passou a infância com os pais, Amos Holverson e Rachel Holloque Holverson. Na vida adulta, trabalhou na indústria têxtil, e começou em uma empresa de roupas e expandiu os negócios depois de se transferir para Boston.
Em 1912, trabalhava como vendedor da Cluett-Peabody, empresa sediada em Nova York que abria filiais de distribuição na América do Sul.
Sua esposa o acompanhava em uma jornada comercial que começara em Nova York, passara pelo Panamá e por Buenos Aires, chegara a Londres e rumava de volta aos Estados Unidos quando o casal embarcou no Titanic. A viagem, que deveria expandir os negócios, terminou em tragédia na madrugada entre 14 e 15 de abril de 1912.
Os últimos momentos no navio
Conforme relato do Alexandria Post News, quando o iceberg atingiu o transatlântico, Holverson dormia profundamente enquanto Mary permanecia acordada. Ao sentir o impacto, ela o despertou e pediu que verificasse o que estava acontecendo. A tripulação afirmou não haver perigo, mas quando ele retornou ao camarote, disse a Mary para se vestir.
Ambos se dirigiram rapidamente ao convés, onde os botes salva-vidas estavam sendo baixados. No convés, Holverson disse a Mary que entrasse em um bote salva-vidas. Ela recusou a princípio, pois não aceitava deixar o marido para trás. Holverson a pegou, colocou-a no bote e garantiu que voltaria com um barco posterior, e a promessa não se cumpriu. Sua decisão garantiu a sobrevivência de Mary, que viveu por décadas com a memória daquele adeus.
O achado que preservou sua voz
O corpo de Holverson foi localizado pela tripulação do vapor Mackay-Bennett, que o transportou primeiro até Halifax, na Nova Escócia, antes de segui-la para Nova York, cidade onde Mary aguardava por ele. O enterro foi organizado no Cemitério Woodlawn, no Bronx.
Junto aos restos mortais, foi encontrada a carta manchada de água que Holverson havia escrito para a mãe e guardado no caderno de bolso. Ele pretendia enviá-la apenas quando chegasse a Nova York, e na carta, escreveu que, se tudo corresse bem, chegariam à cidade na quarta-feira pela manhã.
No texto, Holverson comparou as dimensões do Titanic às de um hotel luxuoso, elogiando ainda a qualidade da comida e das bebidas servidas a bordo. Em 2017, o documento foi arrematado em leilão por US$ 166 mil, consolidando-se como peça histórica que segue tocando pessoas mais de cem anos depois da tragédia.










