O ministro Kassio Nunes Marques declarou-se impedido de participar da votação sobre a possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada para esta terça-feira (15). O plenário analisa um relatório da Polícia Federal baseado em mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março deste ano.
Como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques argumentou que o julgamento pode impactar o cenário político-eleitoral e afirmou não se sentir confortável em participar. O ministro também negou ter trocado mensagens com Vorcaro e que seu filho tenha prestado serviço ao Banco Master.
O que será votado no plenário
O Supremo ainda irá analisar primeiro um pedido da Procuradoria-Geral da República para anular o relatório da Polícia Federal. A PGR sustenta que o documento foi produzido por iniciativa de André Mendonça, sem solicitação prévia do Ministério Público ou da própria Polícia Federal e sem submissão anterior ao plenário.
Caso a nulidade do processo seja acolhida, os ministros divergem sobre os próximos passos. Alguns avaliam que o STF poderá encerrar o caso sem examinar o mérito das mensagens, enquanto outros entendem que os elementos já conhecidos permitem discussão sobre abertura de nova investigação.
Tensões e movimentos recentes na Corte
A sessão ocorre em meio a trocas de ofícios entre ministros, disputas pelo acesso às provas e questionamentos sobre a condução das investigações lideradas por Mendonça. Antes da reunião plenária, os gabinetes debatiam quais documentos deveriam estar disponíveis para análise prévia.
Na última segunda-feira (14), a Polícia Federal entregou cópias dos dados extraídos do celular apreendido de Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. No mesmo dia, Mendonça removeu o sigilo de um processo que detalha a rede de pagamentos do ex-banqueiro e do Banco Master.
As mensagens no aparelho de Vorcaro citam pagamentos de R$ 500 mil mensais ao advogado Kevin Marques, filho de Nunes Marques.
Desdobramentos previstos
Paulo Gonet participará do julgamento, embora seja citado no relatório, e defenderá a nulidade da investigação. O julgamento da conduta de Mendonça foi adiado para 23 de setembro.










