A Globo decidiu intensificar a disputa pelos principais direitos esportivos do Brasil depois do impacto sofrido durante a Copa do Mundo de 2026. O novo posicionamento da emissora é não poupar recursos para reconstruir um portfólio concentrado nas competições mais valiosas do mercado, especialmente após o crescimento da CazéTV.
O sinal mais imediato dessa mudança é o retorno da Libertadores ao SporTV a partir de 2027. A competição deixou a plataforma em 2020, quando Globo e Conmebol romperam relações. Agora, a emissora assegurou um pacote com cerca de 70 partidas por temporada, depois de superar uma negociação que estava avançada com a Paramount.
Como a Cazétv acelerou o movimento da Globo
Durante o torneio, enquanto a Globo transmitiu apenas 55 partidas da Copa do Mundo, a CazéTV foi a única operadora brasileira com acesso aos 104 jogos gratuitamente no YouTube. Na semifinal entre França e Espanha, o canal de Casimiro Miguel atingiu 24,2 milhões de aparelhos conectados simultaneamente. Ao fim do torneio, ocupou 29 das 30 maiores transmissões já registradas na plataforma.
Internamente, a Globo recebeu a ordem de disputar agressivamente os próximos direitos considerados essenciais. A meta é clara: reduzir o espaço para o avanço da concorrente e consolidar o domínio do que um interlocutor chamou de “filé mignon” do esporte.
Reconquista já começou antes do Mundial
A retomada de posição não começou com a Copa. A Globo já havia trazido de volta a Fórmula 1 em 2026, depois de a competição deixar suas telas em 2020 e permanecer cinco temporadas na Band. O contrato da Globo está vigente até 2028 no SporTV.
Na Copa do Brasil, mantém supremacia com a TV aberta e pacotes multiplataforma para SporTV, Premiere e GE TV no ciclo 2027 a 2030. Os novos contratos totalizam mais de R$ 4 bilhões. A Globo também venceu a disputa pelo Mundial de Clubes de vôlei feminino, competição que passará da plataforma de Casimiro para a GE TV.
Próximas batalhas já estão definidas
A Copa do Mundo de 2030 é tratada como prioridade máxima pela emissora. A Globo planeja entrar forte nas negociações e evitar repetir 2026, quando cedeu quase metade das partidas enquanto a CazéTV adquiriu o torneio completo. A Fifa ainda não definiu o modelo de comercialização dos direitos para o Brasil.
O Campeonato Brasileiro representa outro campo de disputa, e os direitos estão hoje fragmentados entre múltiplos operadores — Globo, Record e plataformas digitais — resultado de negociações separadas por blocos de clubes. Nos bastidores, a avaliação é que uma divisão similar dificilmente se repetirá sem resistência forte da líder.
Quando o ciclo seguinte abrir para negociação, a Globo pretende usar seu poder financeiro e estrutura multiplataforma para recuperar o máximo possível dos jogos mais relevantes. Na Copa do Mundo Feminina de 2027, a CazéTV terá exclusividade no YouTube, enquanto a Globo transmitirá na TV aberta e o SporTV exibirá a competição.
A Supercopa do Brasil também integra os novos direitos da Copa do Brasil para o período 2027-2030.










