A faixa salarial de um piloto de avião é uma das mais amplas do mercado de trabalho brasileiro. Isso porque esse profissional pode receber a partir de R$ 3.500 por mês no início da carreira, enquanto comandantes experientes em rotas internacionais chegam a R$ 70.000 mensais.
Essa distância entre o piso e o teto da carreira depende de três fatores: o tipo de licença conquistada, o segmento de atuação e o total de horas voadas ao longo da trajetória. Um copiloto recém-formado em companhia aérea, por exemplo, recebe entre R$ 12.000 e R$ 18.000 por mês. Já um comandante de aeronaves como o Boeing 737 ou o Airbus A320 recebe mais.
Comandantes desses modelos em empresas de grande porte ultrapassam R$ 35.000 mensais com os adicionais. No topo da carreira, quem comanda aeronaves widebody como o 787 em voos internacionais recebe entre R$ 55.000 e R$ 70.000.
Como é montado o salário do piloto
O Sindicato Nacional dos Aeronautas negocia o piso salarial da categoria todos os anos, e esse valor serve como referência mínima obrigatória. Sobre o piso incide um adicional de periculosidade de 30%, garantido por lei a todo aeronauta em razão dos riscos da atividade.
Além do piso e do adicional de periculosidade, a remuneração final inclui hora-voo excedente, diárias por pernoite fora da base e adicional noturno para voos entre 22h e 5h. Benefícios como plano de saúde, previdência complementar e passagens funcionais completam a remuneração. A maioria das empresas paga acima do piso definido pelo sindicato, sobretudo para comandantes e em segmentos como aviação executiva e offshore.
Diferença entre piso e remuneração total
Um copiloto com piso de R$ 12.000 costuma receber entre R$ 16.000 e R$ 20.000 quando todos os adicionais entram na conta. Para os comandantes, a diferença entre o valor-base e o total recebido pode superar R$ 10.000, dependendo da carga de horas voadas e das diárias acumuladas em viagens mais longas.
A hora-voo excedente tem peso nesse cálculo: quanto mais o piloto voa além do mínimo contratual, maior é o adicional pago pela empresa. Por isso, dois profissionais com o mesmo cargo podem ter remunerações mensais diferentes.
O peso da licença na faixa salarial
Cada licença habilita o piloto a funções específicas, e o nível de responsabilidade define o teto salarial possível. Quem tem a licença de Piloto Comercial atua como instrutor, em táxi aéreo, charter, aviação agrícola ou como copiloto de linha aérea, com remuneração entre R$ 3.500 e R$ 18.000.
Já o Piloto de Linha Aérea comanda aeronaves de companhias aéreas, aviação executiva ou de carga, com faixa salarial de R$ 18.000 a R$ 70.000. No universo dos helicópteros, o Piloto de Linha Aérea de Helicóptero atua em operações offshore, resgate e utilidade, com remuneração entre R$ 15.000 e R$ 50.000. Já o Piloto Comercial de Helicóptero, voltado para instrução, táxi aéreo, voo panorâmico e pulverização, recebe entre R$ 5.000 e R$ 20.000.
Segmentos que pagam acima da média
Empresas como LATAM Brasil, Azul Linhas Aéreas e Gol Linhas Aéreas concentram boa parte das vagas de copiloto e comandante na aviação comercial regular. Operações menores, como a Abaetê Linhas Aéreas, também empregam pilotos em rotas regionais e ampliam as opções de entrada na carreira.
Fora da aviação comercial regular, aeronaves como o Air Tractor e o Embraer Ipanema abrem espaço na aviação agrícola. O Cessna Grand Caravan é comum em operações de táxi aéreo e transporte regional. Esses segmentos exigem menos horas acumuladas do que a aviação executiva de widebody, mas ajudam o piloto a construir o currículo necessário para voos maiores.
Para quem mira uma vaga como comandante em companhia aérea de grande porte, a exigência de 1.500 horas de voo continua sendo um marco importante. Esse acúmulo de experiência, somado ao tipo de aeronave e ao segmento escolhido, define se o contracheque ficará próximo do piso ou dos R$ 70.000 pagos no topo da carreira.










