Um ano após a morte do estilista Giorgio Armani, em setembro de 2025, começou a contagem regressiva para a venda de parte de seu império. O testamento do ícone da moda estabeleceu um prazo de 12 a 18 meses para colocar no mercado aproximadamente 15% da Giorgio Armani S.p.A.. Empresa que fundou há mais de 50 anos e manteve sob seu controle pessoal durante toda a carreira.
A operação marca uma inflexão histórica: Giorgio Armani sempre recusou a abertura de capital da empresa e resistiu à concentração que transformou diversas marcas europeias em peças de grandes conglomerados. Agora, seu testamento redesenha o futuro da companhia e indica os potenciais compradores preferenciais do bloco inicial de participação.
Os nomes na disputa pelo controle
O documento cita empresas como LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica como candidatas prioritárias, além de deixar aberta a possibilidade de entrada de outro grande grupo do setor de luxo. A escolha dessas três não é casual: duas delas já possuem relações comerciais consolidadas com a Armani.
A L’Oréal gerencia há décadas o negócio de beleza e perfumes da marca, enquanto a EssilorLuxottica produz seus óculos sob licença. Juntas, essas operações geraram cerca de US$ 2,3 bilhões em vendas em 2025, o que torna a preservação dessas parcerias um ponto crítico em qualquer negociação.
A LVMH, por sua vez, traz experiência na aquisição e gestão integral de grandes casas de moda — o conglomerado de Bernard Arnault controla marcas como Louis Vuitton. Dior, Fendi e Tiffany & Co.
O cenário econômico complica a operação
O processo começou em setembro de 2026 e deve se estender até março de 2027, conforme o cronograma original. Fontes próximas ao processo informaram à Reuters que esses prazos não são rígidos e que a venda pode ser adiada se as condições do mercado não permitirem uma avaliação adequada da companhia.
O setor de luxo atravessa uma fase de crescimento mais fraco e avaliações mais rigorosas, cenário que pode influenciar diretamente o andamento da operação. Pessoas envolvidas nas negociações ressaltaram que não há pressão para concluir a venda caso o preço não seja considerado apropriado.
A divisão em três fatias iguais
Em maio de 2026, e o jornal italiano La Repubblica reportou que a Armani avaliava uma alternativa mais criativa: dividir os 15% iniciais em três partes de 5% cada. E oferecer uma a cada um dos grupos preferencias — LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica. A companhia não confirmou formalmente essa estrutura, e a Reuters apresentou a possibilidade como algo ainda em análise, não como decisão tomada.
Esse modelo permitiria manter os três grupos envolvidos durante a primeira fase e adiar a definição de quem poderia ampliar sua participação depois. A estratégia também ofereceria ganho de tempo em um mercado que não vive seu melhor momento e reduz o risco de uma transação prematura por preço inadequado.










