A Volkswagen oferece duas respostas radicalmente distintas para quem busca um SUV médio. Na faixa de R$ 299.990, uma segue o caminho tradicional, combinando motor a combustão turbinado com tração nas quatro rodas; a outra dispensa o motor a combustão e funciona só com energia elétrica.
O Tiguan aposta em um propulsor 2.0 sobrealimentado que rende 272 cv, aliado ao sistema de tração integral 4Motion. Já o ID.4 conta com motor elétrico de 286 cv e consegue rodar até 389 km com uma carga, de acordo com dados do Inmetro. Apesar de custarem o mesmo e disputarem o mesmo segmento, os dois entregam propostas de condução bastante distintas.
As diferenças vão muito além do tipo de motor: cada SUV segue uma filosofia própria de desempenho, consumo e dirigibilidade, o que muda a experiência ao volante.
Tiguan: motor turbo potente com tração nas quatro rodas
O Tiguan chega em configuração única com o motor EA888 Evo5, descrito como o mais potente já equipado em um Tiguan no Brasil. O 2.0 TSI a gasolina desenvolve 272 cv e 35,7 kgfm de torque e trabalha com transmissão automática de oito marchas e tração integral 4Motion. A suspensão traseira multilink e as rodas de 19 polegadas completam o pacote de desempenho. A proposta combina aceleração e dirigibilidade, com respostas rápidas ao volante sem abandonar o conforto de viagem.
Esse equilíbrio afeta o consumo de combustível: segundo o Inmetro, o Tiguan marca 8,9 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada. Na assistência à condução, os dois têm Travel Assist e faróis IQ.Light Matrix. O Tiguan também traz controle de cruzeiro adaptativo, monitoramento de ponto cego e Park Assist Plus. O ID.4, por sua vez, reúne alerta de ponto cego, frenagem autônoma de emergência, aviso de tráfego cruzado na traseira e função de estacionamento remoto.
ID.4: reação elétrica instantânea e zero emissões
O ID.4 segue lógica totalmente distinta, com motor elétrico posicionado no eixo traseiro entregando 286 cv e 55,6 kgfm de torque. A bateria de 84 kWh oferece autonomia de 389 km, conforme o Inmetro. O diferencial está na entrega de força: o torque instantâneo do motor elétrico garante aceleração rápida na saída do semáforo e nas retomadas de velocidade.
A operação também é diferente: sem marchas convencionais, o ID.4 depende de recarga elétrica. Em corrente alternada, aceita até 11 kW de potência; em corrente contínua, chega a 185 kW. Carregadores rápidos conseguem levar a bateria a 80% em cerca de 25 minutos, em condições ideais.
O design abandona a grade convencional — já que não existe motor a combustão — apresentando linhas mais limpas, arredondadas e aerodinâmicas com teto que desce suavemente em direção à traseira.
Dimensões, espaço interno e acabamento
O Tiguan é fisicamente maior, medindo 4,69 m de comprimento contra 4,58 m do ID.4. O entre-eixos é praticamente idêntico: 2,79 m no Tiguan e 2,77 m no elétrico, o que oferece espaço interior bem próximo. No porta-malas, o ID.4 leva vantagem, com 533 litros, 110 litros a mais que o Tiguan. O modelo também tem assoalho plano na segunda fileira, o que facilita a acomodação dos passageiros.
Dentro da cabine, o Tiguan traz central multimídia com tela de 15 polegadas e quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas. O ID.4 tem central de 15,6 polegadas, mas adota painel digital de 5,3 polegadas fixado diretamente na coluna de direção. Os dois contam com ar-condicionado de três zonas e bancos dianteiros com ajustes elétricos, aquecimento e massagem.
O ID.4 adiciona ventilação nos bancos dianteiros, e ambos têm teto solar panorâmico. O Tiguan mantém visual mais quadrado e vertical nas portas e coluna traseira, enquanto o ID.4 projeta proporções mais arredondadas e integradas ao design geral.
A escolha depende do que o motorista valoriza
A decisão entre um e outro depende do tipo de uso e das preferências do motorista. Para quem valoriza a resposta clássica do motor turbo e o reabastecimento rápido em qualquer posto de gasolina, sem preocupação com infraestrutura de carregamento, o Tiguan é a melhor opção.
Para quem prioriza a reação instantânea do motor elétrico, a autonomia de 389 quilômetros, as zero emissões e o custo operacional mais baixo, o ID.4 é a escolha mais adequada. Apesar do preço idêntico, cada modelo entrega uma vivência própria ao motorista no dia a dia.










