A Fiat quer levar sua maior fábrica brasileira, em Betim, à capacidade total de produção, com foco em carros de entrada e picapes. O complexo pode produzir até 650 mil unidades por ano em três turnos e já iniciou a operação do terceiro turno.
Em entrevista à Bloomberg Línea durante o evento que marcou os 50 anos da Fiat no Brasil, em Betim, o CEO da Stellantis para a América do Sul. Herlander Zola, confirmou que a montadora não quer perder espaço nos segmentos de entrada e picapes, fatias relevantes do mercado brasileiro.
O portfólio de entrada inclui modelos como Mobi, Argo, Cronos e Pulse, automóveis que atendem à busca por preços acessíveis.
Fiat lidera mercado com Strada e portfólio amplo
A Strada é o veículo mais vendido do Brasil há cinco anos. Metade das unidades vendidas é destinada ao uso profissional, e o restante corresponde às versões de passeio, incluindo opções com cabine dupla e quatro portas. Zola destacou que a Fiat possui cobertura única no mercado e oferece soluções para qualquer tipo de necessidade dos compradores.
O desempenho de Betim reflete essa estratégia, e em 2024, a fábrica produziu 468,6 mil automóveis, seu maior volume desde a criação da Stellantis, em 2021. Se o volume de 2025 superar o de 2024, Betim pode se tornar a maior fábrica do grupo no mundo, segundo informações apuradas pela edição.
Histórico e impacto regional
O complexo mineiro já fabricou mais de 18 milhões de veículos ao longo de 50 anos de operação. O Fiat 147 foi o primeiro modelo a sair das linhas de produção. Na época em que a fábrica começou a operar, apenas quatro marcas dividiam o mercado nacional.
O número passou para mais de 50 companhias, mas a Fiat segue na liderança de vendas há praticamente 20 anos, segundo Zola. A unidade emprega 19 mil funcionários somente em Betim e conta com mais de 400 fornecedores diretos instalados num raio de 100 quilômetros da fábrica. Essa rede envolve quase 200 mil pessoas na cadeia produtiva regional.
Investimentos em novas tecnologias
A empresa continuará investindo em segmentos como SUVs e picapes e se preparando para uma possível transição para a eletrificação, conforme a demanda do mercado. Diante do avanço das marcas chinesas no segmento de eletrificados, Zola afirmou que a Fiat terá capacidade de se adaptar às mudanças do mercado e fabricar um veículo totalmente elétrico caso haja necessidade.
Zola revelou ainda que o Novo Argo X será o próximo modelo fabricado na planta e que a empresa planeja lançar um carro totalmente novo por ano no mercado até 2030. A prioridade nos segmentos de entrada e picapes reflete, segundo ele, a estratégia da montadora de manter sua liderança no país.










