Identificar um café genuíno nas prateleiras dos supermercados é difícil para a maioria dos consumidores brasileiros. Entre dezenas de marcas, há produtos rotulados como “pó para preparo de bebida sabor café” que imitam marcas e embalagens famosas, são vendidos por menos e confundem quem compra.
Para orientar escolhas mais seguras, o nutricionista Nathan Carvalho organizou um ranking com dez marcas que, segundo sua avaliação, entregam qualidade. O levantamento foi feito em um cenário de alta: o café torrado e moído registrou aumento de 50,24% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2023. Acima do registrado por outros alimentos naquele período.
Com os preços em alta, consumidores precisam diferenciar produtos genuínos daqueles rotulados como “pó sabor café”. A necessidade aumentou depois que a Anvisa proibiu marcas como Melissa, Pingo Preto e Oficial por contaminação.
Café fake versus marcas genuínas no supermercado
O “pó para preparo de bebida sabor café” é uma categoria distinta do café genuíno. Alguns produtos dessa linha informam na embalagem que usam ingredientes como cevada ou milho, enquanto outros mencionam “polpa de café”, que na verdade refere-se à casca do fruto.
Um ponto de confusão está na embalagem: enquanto letras miúdas informam “pó para preparo de bebida sabor café”, a descrição fica na parte inferior do pacote, e elementos visuais — fotos de grãos, cores e nomes similares às marcas populares — buscam imitar produtos genuínos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a fabricação e a venda de Melissa, Pingo Preto e Oficial, consideradas impróprias para consumo. O Ministério da Agricultura desclassificou as marcas em 25 de março por contaminação com ocratoxina A, uma micotoxina produzida por fungos. Em janeiro, um pacote de 500 gramas de pó saborizado custava R$ 13,99 nos supermercados.
Como foram selecionadas as dez melhores
O teste que embasou as avaliações de qualidade envolveu um painel de cinco especialistas. Eles provaram amostras descaracterizadas das linhas tradicionais, preparadas com 40 gramas de pó para 600 mililitros de água, seguindo metodologia aplicada em avaliação independente de mercado.
O método padronizado garantiu que as diferenças de qualidade viessem do produto, não do preparo. O café em grão mantém o frescor melhor do que café moído, razão pela qual marcas que não degradam o produto durante o processamento ocupam posições de destaque no ranking.
O pódio e as marcas mais bem avaliadas
Orfeu ficou em primeiro lugar pela qualidade superior dos grãos e pela completa ausência de impurezas. Segundo Nathan, o café rivaliza com os produzidos em propriedades rurais tradicionais. Baggio ficou em segundo, seguido por Três Corações Gourmet em terceiro. L’OR ficou na quarta posição, Melitta Especial em quinto e Iguaçu em sexto.
Nescafé Solúvel ocupou a sétima colocação, e Melitta Tradicional chegou ao oitavo lugar, enquanto Caboclo Tradicional — que carrega selo de pureza — ficou em nono. Este último apresenta sabor menos intenso porque mistura diferentes cafés, suavizando o amargor natural, e Três Corações Extraforte completou a lista na décima posição.
Embora seja legalmente classificado como café, o produto tem torra muito escura e sabor amargo, e por isso, muitos consumidores adicionam açúcar para bebê-lo. Escolher uma marca genuína envolve mais do que paladar: também é uma questão de segurança. O café de qualidade custa mais, mas oferece sabor e garantia que o “café fake” não consegue fornecer.










