Não é difícil identificar uma unidade da Havan à distância: a entrada monumental, as colunas inspiradas em construções americanas e a réplica da Estátua da Liberdade compõem um visual que virou marca estética da rede. O empresário Luciano Hang, à frente do negócio aos 63 anos, fez das aberturas de loja verdadeiros acontecimentos, capazes de reunir multidões e ganhar destaque em todo o país.
Mas toda essa exposição tem um adversário quase invisível. Com mais de um século de atuação no varejo, a Pernambucanas chega às mesmas cidades cobiçadas pela Havan, mas dispensa comemorações, símbolos e exposição midiática.
Disputa silenciosa entre Havan e concorrente em cidades médias
É nas cidades médias — território também almejado por Hang — que a rede mais discreta tem concentrado sua expansão mais recente. Crédito facilitado, preços populares e atendimento próximo atraem consumidores que buscam praticidade em vez de espetáculo.
Além disso a presença da varejista em shoppings centers de capitais, também a coloca frente a frente com outras gigantes do mercado como Renner, Riachuelo e C&A. Do outro lado, a Havan segue com lojas enormes e campanhas que ocupam as redes sociais. A fórmula sustenta a força da marca, mas não impede o avanço da concorrente.
Duas filosofias em rota de choque
A Havan transforma cada nova loja em palco: o próprio dono aparece, bandeiras tremulam e câmeras transmitem tudo ao vivo. A rede mistura espetáculo e varejo em uma fórmula pensada para gerar impacto imediato.
Do lado oposto, o silêncio orienta a estratégia da concorrente. Sem grandes anúncios nas redes, as novas lojas seguem um modelo mais simples, pensado para atender ao movimento do dia a dia e facilitar o acesso dos clientes. Esse jeito de crescer sem alarde acaba passando despercebido por quem só presta atenção ao que faz barulho no setor.
Para analistas, a rivalidade entre as duas empresas tende a crescer nos próximos anos. Enquanto os resultados consistentes colocam a discrição da Pernambucanas em evidência, a Havan segue apostando na força de sua imagem e na presença marcante como diferencial.
A concorrência tende a ampliar as opções, reduzir preços e movimentar o setor. Com isso, as duas redes podem se enfrentar de forma cada vez mais direta.










