Luiza Trajano começou sua trajetória aos 12 anos no balcão de uma loja em Franca, no interior de São Paulo, buscando dinheiro para presentear a família.
O comércio da tia, em Franca, marcou o início de uma trajetória que décadas depois transformaria o varejo brasileiro. Era mais que um jeito de ganhar dinheiro nas férias escolares: foi o ponto de partida de um aprendizado que moldaria o estilo de gestão de Luiza Helena Trajano, que viria a liderar o Magazine Luiza.
Nascida em 9 de outubro de 1948, Luiza cresceu em uma família ligada ao comércio. Aos 12 anos, sua mãe a orientou a trabalhar para conseguir dinheiro e comprar presentes. A loja onde trabalhou era o negócio de sua tia, Luiza Trajano Donato. Em vez de entregar a quantia, a mãe viu no trabalho uma solução para o desejo da filha.
Aquele período de férias se estenderia por anos e consolidaria na adolescente uma facilidade natural para lidar com pessoas, algo que nenhuma sala de aula conseguiria ensinar sozinha.
Luiza Trajano e a formação entre balcão e Direito
Aos 17 anos, Luiza passou a trabalhar de forma permanente na loja. Iniciou faculdade de Direito e Administração no período noturno. A combinação permitiu que sua formação profissional acontecesse principalmente dentro da própria operação.
Antes de ocupar cargos de comando, ela passou por diferentes funções. Permaneceu durante anos em contato direto com consumidores, acumulando conhecimento sobre vendas, atendimento, organização e operação.
Compreender o que o cliente precisava antes de tentar vender qualquer coisa tornou-se princípio central. Adaptar a abordagem a cada situação específica fez parte natural do seu jeito de atender.
Esse aprendizado não vinha de treinamentos estruturados, raros no varejo daquela época, mas da observação e da prática diária.
A pequena loja que virou rede
O Magazine Luiza começou em 1957, quando uma pequena loja de presentes chamada A Cristaleira foi comprada em Franca. O novo nome surgiu de um concurso em uma rádio local, no qual moradores escolheram como o estabelecimento seria chamado.
A empresa cresceu progressivamente, e Luiza acompanhou essa expansão em diferentes áreas até se tornar gerente de loja.
Em 1991, ela assumiu a liderança da empresa e iniciou uma transformação que ia além da abertura de novas unidades. Preparar uma rede capaz de crescer com identidade própria tornou-se prioridade.
Para isso, a empresa apostou em tecnologia antes de a internet dominar o setor.
A estratégia das filas e o modelo que conquistou o Brasil
Em 1992, o Magazine Luiza criou as Lojas Eletrônicas, depois chamadas Lojas Virtuais. Terminais multimídia permitiam que vendedores apresentassem produtos sem necessidade de estoque físico no local. Isso reduzia a necessidade de manter grandes estoques em cada unidade e ampliava a variedade oferecida a cada cliente.
Essa abordagem mostrava uma característica recorrente na gestão de Luiza: usar tecnologia para resolver problemas concretos. O objetivo era conectar produtos, vendedores e consumidores de maneira mais eficiente. Ao mesmo tempo, outra estratégia ganhava importância: os eventos promocionais.
A Liquidação Fantástica foi criada no início dos anos 1990 como campanha comercial importante. A estratégia atraía clientes que formavam filas nas portas das lojas em busca de descontos.
As promoções exclusivas do período atraíam consumidores dispostos a esperar pela chance de comprar a preços especiais e se tornaram símbolo do sucesso do modelo. O engajamento dos funcionários e o clima de expectativa em torno das liquidações fortaleceram a imagem da marca.
A partir da década de 1990, a trajetória de Luiza ganhou projeção nacional. Em 2012, ela participou da criação do grupo Mulheres do Brasil, voltado a iniciativas sobre empreendedorismo, educação e participação feminina.
A trajetória de Luiza levou adiante a disposição aprendida aos 12 anos, atrás de um balcão: entender, servir e conectar-se com quem estava do outro lado.










