Muitas pessoas já ouviram falar da Islândia por ser um dos países mais frios do mundo, mas além da neve, existem outras características importantes do país, que é considerado um dos menores do globo em área territorial. Nos últimos tempos, a pequena nação europeia passou a chamar atenção por suas cidades e sua qualidade de vida.
Dois eventos colocaram o país nos holofotes globais. O primeiro fator foi a crise financeira de 2008, que quebrou o sistema bancário do país; em apenas dois anos, o PIB islandês encolheu mais de 40%, a maior retração proporcional já registrada no mundo.
Em seguida, em 2010, a erupção do vulcão Grímsvötn espalhou fumaça pelo continente europeu e paralisou voos, colocando o país no radar de todo mundo. O turismo, até então secundário, cresceu nos anos seguintes.
Turismo e economia
As visitas à ilha, no entanto, ultrapassaram a marca de 2,2 milhões em 2017, crescimento de mais de 400% em sete anos. A beleza natural das montanhas, dos gêiseres e das cachoeiras atraem milhões de viajantes por ano, o que tornou o turismo um setor importante para um país com apenas 320 mil habitantes.
Segurança e bem-estar como modelos
Comparações com países nórdicos vizinhos — Dinamarca, Finlândia, Suécia e Noruega — revelam uma sociedade de bem-estar notável. Os sistemas públicos de saúde e educação também funcionam com excelência e oferecem um padrão que poucos países conseguem replicar, de acordo com indicadores sociais.
A segurança impressiona ainda mais: foram apenas 37 assassinatos em toda a Islândia nos últimos vinte anos. Essa taxa de mortes por cem mil habitantes é mais de trinta vezes menor que a do Brasil, e até mesmo a polícia, costuma circular desarmadas pelas cidades do país insular.
Isso acaba refletindo uma estrutura social radicalmente diferente, e o modelo de sociedade e a renda elevada certamente ajudam. Mas há lições mais diretas para cidades interessadas em urbanismo: densidade bem planejada, sustentabilidade e relação equilibrada com veículos.
Lições de design urbano podem inspirar municípios interessados em melhorar espaços públicos. Desde a metade do século 20, o país passou a depender principalmente da energia geotérmica, gerada a partir da atividade vulcânica; hoje a Islândia lidera o mundo na produção desse tipo de energia por habitante, uma fonte limpa e renovável.
Com uma oferta quase infinita, carros elétricos circulam pela capital e representam quase 15% das vendas de automóveis novos, índice elevado mesmo em comparação com a Europa, onde a média é de apenas 1,4%. Combustíveis são caros — quase R$ 8 o litro — e impostos maiores incidem sobre gasolina e diesel.
Na capital, Reykjavik, o estacionamento público também é caro, R$ 13 por hora, com preços diferentes por área da cidade. Quanto mais perto do centro, mais caro. A velocidade máxima é limitada: 30 km/h em vias com pedestres, nunca passando dos 60 km/h nas expressas. Há multa para motorista que não dá preferência ao pedestre. Muitas ruas fecham para uso exclusivo de pedestres em certos horários e recebem pinturas coloridas no asfalto. Mesmo em vilas com menos de mil habitantes há esculturas, promovendo arte e cultura locais e tornando caminhar mais agradável.
Urbanização densa sem arranha-céus
À primeira vista, um dos países menos povoados do mundo não deveria ser denso. Em toda a ilha, há muita terra para pouca gente. Mas a urbanização é enorme: 94% dos habitantes vivem em cidades.
Essa é uma das maiores taxas do mundo, 20 pontos percentuais acima da média europeia. Reykjavik, a capital, comprime 130 mil habitantes em cerca de 270 quilômetros quadrados.
Em certas áreas há mais de 3 mil moradores por km², um índice superior ao Plano Piloto de Brasília. Apenas 0,1% das cidades brasileiras com até 150 mil habitantes têm densidade superior à capital islandesa. Não há arranha-céus como em Nova York, Hong Kong ou São Paulo, mas há edifícios densos e bem planejados.
Densidade bem planejada
Quem caminha pelo centro de Reykjavik encontra construções baixas — geralmente entre quatro e cinco pavimentos — dispostas lado a lado, sem espaço de recuo na frente ou nas laterais. Essa configuração economiza área e permite muitas praças e um calçadão central.
O plano diretor atual propõe aumentar ainda mais a densidade com usos mistos. Para isso, prevê desativar o aeroporto doméstico e construir dezenas de edifícios comerciais, residenciais e de serviços, além de parques que unam moradia, trabalho e lazer.
Segundo análise de urbanistas, a densidade bem planejada ajuda a tornar as cidades mais ricas, inteligentes, saudáveis e felizes. Além disso, morar perto de outras pessoas preserva a natureza e garante maior sustentabilidade.










