A estudante Débora Sousa Rocha foi aprovada em Medicina em duas universidades públicas pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), depois de enfrentar renúncias familiares para estudar.
Natural do Espírito Santo, ela estudava sem internet em casa e usava um celular com a tela quebrada para acessar conteúdo digital. Após duas tentativas no exame, ela enfim viu seu nome nas listas de aprovados no ano de 2022.
Ela foi aprovada nas duas universidades, o que lhe abriu as portas do ensino superior na área da saúde.
Como Débora se preparou para medicina no Enem
Débora relatou posteriormente que enfrentou obstáculos materiais durante toda sua preparação para o Enem. Isso porque a casa onde morava não tinha sinal de internet, e ela dependia de um celular com a tela quebrada para estudar e acessar conteúdo digital.
Ela também precisava pagar a conexão de dados móveis com recursos que a família mal possuía. Os livros e materiais impressos chegavam até ela por meio do trabalho da mãe, Maria.
Maria trabalhava como catadora, recolhia publicações descartadas nas ruas e as levava para a filha estudar. Ainda assim, havia outro sacrifício nesse processo.
O custo da dedicação materna
Para manter o celular de Débora funcionando, Maria comprava créditos para comunicações essenciais e acesso a conteúdo com dinheiro que usaria na própria alimentação.
Esse sacrifício contribuiu para que Débora continuasse estudando durante a preparação para o Enem até ser aprovada.
Aprovação em duas instituições e novos objetivos
A classificação de 2022 abriu as portas de duas universidades públicas para Débora: uma na Bahia e outra no Rio Grande do Sul. Ela escolheu a instituição baiana, e a própria escola se mobilizou para ajudar a financiar as despesas de viagem e permanência da jovem.
Mas a aprovação não é apenas um ponto final. Depois de passar para o curso de medicina, Débora também estabeleceu seu próximo objetivo profissional: especializar-se em cirurgia cardiovascular, considerada como uma das áreas mais competitivas dentro do curso.
A trajetória de Débora e de sua mãe, Maria, ilustra um problema estrutural do país: as barreiras enfrentadas por estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica para ter acesso à educação de qualidade. Além disso, demonstra como redes de apoio familiar, podem impulsionar conquistas que transformam vidas inteiras e abrem caminhos para outras gerações.










