Um grupo internacional de pesquisadores identificou um caso raro de câncer transmissível em peixes de água doce. O estudo, publicado na revista científica Nature, revelou que o melanoma encontrado em bagres da espécie Ameiurus nebulosus não se desenvolve de forma independente em cada animal. Em vez disso, as próprias células cancerígenas passam de um peixe para outro, comportamento considerado incomum na natureza. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Vermont e repercutida pelo G1.
Os casos foram registrados no lago Memphremagog, localizado na fronteira entre Estados Unidos e Canadá. A descoberta amplia o conhecimento sobre tumores contagiosos, um fenômeno documentado anteriormente apenas em poucas espécies de animais.
Câncer transmissível em peixes
Os primeiros sinais surgiram entre 2014 e 2017, quando pesquisadores observaram manchas escuras e elevadas na pele de parte da população de bagres. Em algumas áreas do lago, entre 23% e 37% dos peixes apresentavam as lesões.
Inicialmente, a suspeita era de que a doença estivesse relacionada à contaminação da água após uma forte tempestade. No entanto, exames laboratoriais confirmaram que as alterações eram melanomas, um tipo de câncer de pele.
Para entender a origem dos tumores, os cientistas analisaram cerca de 700 mil pontos do DNA dos animais. O resultado mostrou que milhares de mutações eram idênticas em diferentes peixes, indicando que todos os tumores descendiam da mesma célula cancerígena original. Segundo os pesquisadores, esse padrão não ocorre nos casos convencionais de câncer, que normalmente se desenvolvem de forma independente em cada organismo.
Há risco para humanos?
Especialistas afirmam que não há risco de transmissão para seres humanos. Segundo o oncologista Stephen Stefani, ouvido pelo G1, o câncer identificado afeta apenas os peixes e não pode ser transmitido pelo contato com a água nem pelo consumo da carne dos animais, já que as células cancerígenas são destruídas durante a digestão.
Agora, os pesquisadores investigam como ocorre a transmissão entre os bagres. As principais hipóteses envolvem o contato direto durante o período reprodutivo ou a presença de células cancerígenas no sedimento, que poderiam atingir a pele dos peixes.
Além de ampliar o monitoramento para outros rios e lagos dos Estados Unidos e do Canadá, a equipe espera que a descoberta ajude a compreender como esse tipo de tumor consegue escapar do sistema imunológico, conhecimento que poderá contribuir para futuras pesquisas sobre tratamentos contra o câncer.










