A Magazine Luiza decidiu sair da guerra de preços do varejo digital e passou a focar em marcas consolidadas e produtos de maior valor. A estratégia coloca a varejista em rota oposta à de Shopee e Mercado Livre, que mantêm subsídios logísticos e descontos em massa para disputar o consumidor de baixa renda.
A mudança tem objetivo claro. A empresa quer proteger suas margens financeiras e atrair um perfil de comprador que prioriza segurança nas entregas e previsibilidade no serviço, em vez de apenas o menor preço.
Comissão menor, marcas maiores
Para viabilizar o novo posicionamento, a Magalu reduziu a comissão cobrada dos vendedores parceiros de 18% para 9,9%. A queda na taxa foi acompanhada de melhorias na integração de sistemas e no serviço de transporte da plataforma.
O resultado apareceu rápido. Tramontina, Westwing e Lacoste passaram a integrar o catálogo oficial da varejista. A diretoria definiu o marketplace como um ambiente voltado a marcas de confiança, com menos espaço para lojistas independentes de menor expressão.
A decisão tem contexto financeiro. No quarto trimestre de 2025, as vendas via parceiros recuaram 11,7%, reflexo da perda de espaço em itens de baixo valor. O portal Economic News Brasil apontou que a corrida por volume a qualquer custo compromete a sustentabilidade da operação no longo prazo.
Números do setor
O ambiente digital já responde por 69% do faturamento total da Magazine Luiza (MGLU3), que fechou 2025 com R$ 65 bilhões em receita. Dentro desse percentual, as vendas via parceiros representam 39% do total online.
O foco agora recai sobre categorias em que a rede já tem posição consolidada, como eletrodomésticos, móveis e utilidades domésticas, com expansão prevista nas áreas de beleza e supermercado.
O mercado de comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 371,4 bilhões em 2024, alta de 19,1% em doze meses, de acordo com dados da Nielsen. A Magalu aposta que crescer com mais critério vale mais do que crescer mais rápido.










