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Estudo prevê que quase dois bilhões de pessoas terão doenças metabólicas do fígado até 2050

A pesquisa também prevê um impacto grave na saúde global, com um grande aumento na incidência de cirrose e câncer de fígado relacionado à doença até 2050

Isabel Alvarez

Publicado: 14/04/2026 às 16:08

Doenças metabólicas do fígado/Freepik

Doenças metabólicas do fígado (Freepik)

Os resultados de um estudo sobre a carga global de doenças, lesões e fatores de risco, publicado na revista científica The Lancet, apontou que cerca de 1,8 bilhões de pessoas serão afetadas por doenças metabólicas do fígado até 2050, o que representa um aumento de 42% em relação a 2023. A pesquisa também prevê um impacto grave na saúde global, com um grande aumento na incidência de cirrose e câncer de fígado relacionado à doença até 2050.

O estudo também indica que o crescimento se deve, especialmente, ao crescimento da população mundial e ao envelhecimento em combinação com mudanças no estilo de vida, como o aumento da obesidade, sedentarismo e dos níveis de açúcar no sangue. O estudo enfatiza ainda a necessidade urgente de intervenções de saúde pública, triagens amplificadas e estratégias de prevenção, já que a Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (DHEM) se consolidou como a principal causa de doença hepática crônica mundialmente.

Mas, os níveis elevados de açúcar no sangue foram o principal fator determinante dos problemas de saúde relacionados com a DHEM em todo o mundo, seguidos por IMC elevado e tabagismo, evidenciando fortes ligações com diabetes tipo 2 e obesidade.

Segundo as estimativas mais recentes, o número de pessoas atingidas pela doença aumentou 143% em apenas três décadas e a perspectiva é que continue a aumentar nos próximos anos. De acordo com o estudo, em 2023, a doença foi mais comum em homens do que em mulheres e apresentou as maiores taxas de prevalência em adultos mais velhos, com idades entre 80 e 84 anos. No entanto, o maior número de pessoas atingidas era mais jovem, por volta dos 35 a 39 anos em homens e 55 a 59 anos em mulheres.

Algumas regiões, incluindo o norte da África e o Oriente Médio apresentaram taxas desproporcionalmente mais altas de DHEM em comparação com outras regiões. Por sua vez, a região da Ásia-Pacífico mostra a taxa de prevalência mais baixa. No entanto, em geral, ocorreram aumentos acentuados no número de pessoas afetadas em países de todo o mundo. No Reino Unido, por exemplo, a taxa de prevalência aumentou 33% entre 1990 e 2023, sendo o maior crescimento na Europa ocidental.

O estudo constatou, porém, que, embora o número de pessoas afetadas pela doença tenha aumentado, o impacto geral na saúde, medido em anos causados devido à doença ou morte, permaneceu estável.

A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, anteriormente conhecida como doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), é uma das doenças hepáticas mais prevalentes e de crescimento mais rápido em todo o mundo, revela o estudo. Muitas pessoas são assintomáticas, sendo uma patologia às vezes silenciosa, porém existe casos em podem sentir cansaço extremo ou desconforto abdominal quando a doença já está presente.

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