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OMS alerta que programas de vacinação estão ameaçados pela crescente desinformação

Para os especialistas, proteger a confiança e combater a desinformação também são prioridades em 2026

Isabel Alvarez

Publicado: 18/03/2026 às 16:46

Vacinação em bebê/Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Vacinação em bebê (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou hoje que os programas de vacinação estão ameaçados pela crescente desinformação e pelas incertezas ao financiamento das investigações.

"Entre os desafios emergentes estão à incerteza em relação ao financiamento da investigação e desenvolvimento de vacinas, assim como a desinformação e a informação distorcida, que corroem a confiança pública nas vacinas", diz o comunicado do Grupo Estratégico Consultivo de Peritos em Imunização da OMS (SAGE).

Na reunião bianual realizada pelo SAGE na semana passada, o foco foi nas vacinas contra a Covid-19 e a febre tifoide, entre outras. Para os especialistas, proteger a confiança e combater a desinformação também são prioridades em 2026.


"Estamos vivendo um período de profunda turbulência, tanto em termos de doenças infecciosas como de programas de vacinação. A confiança nas vacinas está ameaçada pela desinformação e o risco é de retrocessos, ou mesmo de os países decidirem que não podem suportar todas as vacinas planeadas nos respectivos programas”, declarou Kate O`Brien, diretora do Departamento de Imunização e Vacinas da OMS, em alusão aos conflitos, dificuldades econômicas e restrições orçamentais no setor da saúde.

A diretora do Departamento de Imunização e Vacinas da Organização Mundial de Saúde ainda enfatizou e reafirmou, após uma análise da OMS, publicada em dezembro passado, a ausência de qualquer ligação entre as vacinas e o autismo. "As vacinas não causam autismo e nunca causaram", reiterou O`Brien, acrescentando que as vacinas salvaram 154 milhões de vidas nos últimos 50 anos.

Isso se deve as falas do secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., ter feito declarações antivacinas e disseminado alegações que ‘ligaram’ sem embasamento científico as vacinas ao autismo.

Além disso, o Grupo Estratégico Consultivo de Peritos em Imunização da OMS manifestou preocupação com a transmissão do vírus da poliomielite no Paquistão e no Afeganistão, assim como em diversos países africanos. "O conflito no Oriente Médio pode muito bem levar a um novo surto de poliovírus, que causa a poliomielite, complicando ainda mais a tarefa de alcançar a erradicação", advertiu Anthony Scott, presidente do SAGE.

Sobre a vacinação contra a Covid-19, o SAGE recomendou que se considerasse a vacinação duas vezes por ano para os grupos de maior risco, dado o nível decrescente de proteção apos seis meses. “O mercado das vacinas contra a Covid-19 restringiu-se a um número limitado de fabricantes e tipos, tendo as vacinas de RNA mensageiro permanecido como a forma dominante”, disse O`Brien.

A diretora do Departamento de Imunização e Vacinas da OMS defendeu um aumento dos investimentos, especialmente no desenvolvimento de vacinas pancoronavírus que visam mais do que apenas a Covid-19, e em injeções de ação prolongada.

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