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ARTIGO DE OPINIÃO

Alcides Teixeira: um legado costurado com dignidade

Texto resgata a importância das máquinas de costura como instrumentos de autonomia financeira e transformação social na vida de mulheres pernambucanas.

Alcides Teixeira Neto / Vereador do Recife

Publicado: 02/11/2026 às 09:31

A estrutura conta com 30 máquinas de costura e mesas destinadas às atividades de produção/Fotos: Alexandre Felipe e Franci Almeida/Seap

A estrutura conta com 30 máquinas de costura e mesas destinadas às atividades de produção (Fotos: Alexandre Felipe e Franci Almeida/Seap)

Durante décadas, antes que a palavra empreendedorismo ganhasse espaço no vocabulário cotidiano, um objeto silencioso ocupava lugar central nas casas brasileiras: a máquina de costura. Presente em salas, quartos improvisados ou varandas, ela foi muito mais do que um utensílio doméstico tornou-se instrumento de autonomia econômica, dignidade e resistência feminina. Em um tempo em que o trabalho das mulheres era restrito ao espaço privado e raramente remunerado, a costura abriu frestas de independência financeira para milhares de donas de casa, permitindo que transformassem habilidade manual em renda, saber em sustento e tempo em valor.

Ao longo do século XX, especialmente nas camadas populares e na classe média urbana, a máquina de costura representou a possibilidade concreta de contribuir para o orçamento familiar sem romper com as expectativas sociais impostas às mulheres. Por meio dela, muitas financiaram estudos dos filhos, garantiram segurança em momentos de crise, enfrentaram viuvez ou abandono e, sobretudo, conquistaram voz dentro do próprio lar..

A dimensão social desse empoderamento foi compreendida, por lideranças públicas sensíveis à realidade das mulheres pernambucanas. Entre elas, destaca-se o deputado Alcides Teixeira, que entendeu, com rara lucidez, que políticas públicas eficazes não se fazem apenas com grandes obras, mas também com instrumentos simples capazes de gerar renda imediata. Ao incentivar e viabilizar a distribuição de máquinas de costura, sobretudo para mulheres de baixa renda, ele não apenas entregava um equipamento: oferecia oportunidade, autonomia e a chance concreta de transformação social.

Essas máquinas chegaram a muitas casas como sementes de futuro. Em bairros periféricos, tornaram-se fonte de sustento, de autoestima e de reconhecimento. Mulheres que antes dependiam exclusivamente da renda masculina passaram a negociar seu trabalho, estabelecer preços, criar clientelas e assumir protagonismo econômico. A política pública, nesse caso, dialogava diretamente com a realidade cotidiana, respeitando saberes tradicionais e potencializando talentos já existentes, um exemplo de ação prática, humanizada e profundamente alinhada à justiça social.

Como Alcides Teixeira Neto, neto desse homem público e herdeiro desse legado, trago esta homenagem não apenas como memória afetiva, mas como compromisso político. Revisitar essa história é reafirmar que desenvolvimento e empoderamento caminham juntos quando o poder público enxerga as pessoas não apenas como números. Ao lembrar a importância das máquinas de costura distribuídas por meu avô, celebro uma visão de política que acreditava, e continua atual, em que mudar vidas começa, muitas vezes, com gestos simples, feitos com propósito, sensibilidade e profundo respeito pela dignidade humana.


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