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Alguém destruiu o Brasil?

Coletei dados do FMI, do World Economic Outlook, sobre PIB per capita com correção para a paridade do poder de compra (PPP), para entender hipóteses levantadas sobre o país

Alexandre Rands Barros

Publicado: 24/10/2026 às 10:21

Moeda brasileira, o Real/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Moeda brasileira, o Real (Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Alexandre Rands Barros

Nessa campanha, os opositores do Presidente Lula têm recorrido a duas críticas: uma mais radical e outra mais amena, mas que também justificaria uma mudança no comando do Brasil, segundo eles. A primeira é que Lula e o PT destruíram o Brasil. A segunda é que ele não desenvolveu o país. Vale observar os números para entender o suporte a essas hipóteses.

Coletei dados do FMI, do World Economic Outlook, sobre PIB per capita com correção para a paridade do poder de compra (PPP), medido em dólar internacional, a preços constantes, tendo 2021 como referência. Utilizei uma comparação do Brasil com as economias avançadas para tal análise. Os dados só estão disponíveis em uma série única para o período de 1980 a 2026. Não utilizei uma comparação com o mundo porque essa série não está organizada pelo FMI na mesma fonte. Os dados para 2026 são estimativas, já que o ano sequer terminou. Mas, nessa época do ano, as divergências em relação aos números reais têm sido mínimas.

Nos três governos Lula (2003 a 2006, 2007 a 2010 e 2023 a 2026), a proporção do PIB per capita do Brasil em relação ao das economias avançadas cresceu anualmente, em média, 0,18%, 3,55% e 0,93%, respectivamente. No Governo Bolsonaro, houve uma queda na proporção indicada de -0,48% (média anual). A relevância de utilizar a proporção em relação ao PIB per capita de alguma região de referência é que, para um país, é sempre mais fácil crescer quando a economia mundial cresce. E as economias que o FMI classifica como economias avançadas representam uma proporção elevada da economia mundial.

Em 2002, a proporção do PIB per capita brasileiro (PPP, constante) em relação ao das economias avançadas era de 30,0%. Ela terminou os dois primeiros governos Lula em 34,7%, em 2010. Já no Governo Bolsonaro, essa proporção iniciou em 30,7% em 2018 e terminou, ao fim dos quatro anos desse governo (2022), em 30,1%. Vale lembrar que a pandemia atrapalhou o desempenho econômico de todos os países, não só do Brasil. Então, essas estatísticas servem como um indicador de desempenho frente às condições da economia mundial.

No atual governo Lula, a proporção entre os PIBs per capita analisados partiu de 30,1% em 2022 e deve atingir 31,2% em 2026, segundo os dados do FMI. A destruição econômica estava muito elevada, mas ainda deu para recuperar um pouco. Lula III já recuperou as perdas relativas que tivemos no Governo Bolsonaro. Um quarto mandato de Lula, com a vitória nas urnas no dia 25/10, deverá novamente elevar a proporção para algo em torno de 35%. É por esse caminho que o Brasil poderá, até 2035, se tornar um país de renda alta.

Os dados acima, que são perfeitamente replicáveis caso se recorra ao FMI, mostram que, diferentemente do que os críticos afirmam, os governos Lula não destruíram o Brasil. Ao contrário, reverteram tendências negativas impostas por governos como o de Bolsonaro. Por esses números, precisaríamos de 43 anos de governos como o de Lula (ou seja, quase dez mandatos seguidos, sem governos de direita para atrapalhar) para o PIB per capita brasileiro atingir 60% do PIB per capita das economias avançadas. Isso já nos colocaria entre as nações desenvolvidas.

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