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Vorcaro

Economistas buscam compreender a realidade das pessoas, identificando motivações e incentivos que justificam suas ações

Alexandre Rands Barros

Publicado: 03/10/2026 às 08:21

O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal/Reprodução/Youtube

O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal (Reprodução/Youtube)

Economistas buscam compreender a realidade das pessoas, identificando motivações e incentivos que justificam suas ações. No caso de Vorcaro, seus objetivos eram claros: maximizar renda e fortuna, além de extrair prazeres de relacionamentos. Para isso, rejeitou o imperativo categórico de Kant e aderiu a um utilitarismo bem egoísta. Respeitava a lei apenas quando necessário para preservar sua reputação e evitar ser visto como criminoso. Sua convivência com Flávio Bolsonaro e o crime organizado, somada à audácia de sua personalidade, levou-o a correr riscos excessivos e ser descoberto em suas transgressões.

Para legitimar sua posição como banqueiro e lucrar no mercado financeiro, aproximou-se da família Bolsonaro e de figuras de poder. Flávio Bolsonaro, Roberto Campos Neto (ex-presidente do Banco Central, indicado por Jair Bolsonaro) e Willer Thomas (advogado da família e investigado por corrupção) compunham o núcleo duro de seus negócios. Alguns atuavam discretamente, sem exposição pública.

Um dos maiores investimentos de Vorcaro foi em precatórios, sobretudo de usinas brasileiras. Estima-se que o Banco Master tenha aplicado cerca de R$ 14,3 bilhões em precatórios e “pré-precatórios” ligados ao setor de álcool e açúcar, adquiridos por aproximadamente 5% do valor de face. Essas transações ocorreram em 2021 e 2022, durante o governo Bolsonaro, logo após a aprovação do Banco Master pelo Banco Central. Por meio de engenharias financeiras, Vorcaro conseguiu registrar esses títulos em valor integral, com anuência de Roberto Campos Neto e diretores indicados pela família Bolsonaro, Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, afastados posteriormente no governo Lula.

Em 2024, já no governo Lula, a Procuradoria-Geral da República e a Advocacia-Geral da União iniciaram investigações sobre tais operações. Tribunais locais começaram a decidir sobre alguns precatórios, e Vorcaro percebeu a necessidade de concentrar os processos em uma única corte: o STF. Para isso, buscou aproximação com ministros, firmando contratos com o filho de Kassio Nunes Marques, oferecendo benefícios a familiares de Fux, contratando o escritório da esposa de Alexandre de Moraes, favorecendo André Mendonça e adquirindo cotas de resort da família de Toffoli. O objetivo era conquistar apoio majoritário no STF e garantir bilhões em cobranças ao governo federal. Esse plano, iniciado em 2019 e 2020, foi implementado gradualmente, sempre com ciência da família Bolsonaro.

O que começou como artifício para inflar balanços e expandir o Banco Master transformou-se em um grande esquema de multiplicação de patrimônio, caso os precatórios fossem reconhecidos. O envolvimento com a família Bolsonaro aproximou Vorcaro do crime organizado. Ele passou a falsificar documentos e usar fundos de investimento para criar ativos inexistentes, práticas comuns em organizações criminosas para lavar dinheiro. Assim, consolidou-se uma das maiores quadrilhas já atuantes no mercado financeiro brasileiro.

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