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O Brasil pode se tornar um país de alta renda

Para um possível novo mandato de Lula, com início em 2027, ele lançou um novo desafio, desta vez bastante audacioso: tornar o Brasil um país desenvolvido

Alexandre Rands Barros

Publicado: 19/09/2026 às 09:02

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva/Ricardo Stuckert.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (Ricardo Stuckert.)

Alexandre Rands Barros
Economista

O presidente Lula, desde seu primeiro governo, costuma lançar desafios para a sociedade brasileira, que têm se tornado importantes na determinação das metas e na atuação dos agentes nacionais. Embora pareçam irrealistas para o país à primeira vista, ele tem conseguido liderar o Brasil rumo a suas superações. Nos seus primeiro e segundo mandatos, o desafio foi acabar com a fome. Foi uma meta que se tornou realidade: o país saiu do mapa da fome, embora tenha retornado a ele no período do governo Bolsonaro. Então, novamente, neste seu terceiro mandato, o presidente Lula pôs como meta erradicar a fome no país - objetivo que foi atingido agora em 2026.
Para um possível novo mandato de Lula, com início em 2027, ele lançou um novo desafio, desta vez bastante audacioso: tornar o Brasil um país desenvolvido.

Tecnicamente, isso significa colocar o Brasil entre os países classificados como de alta renda pelo Banco Mundial. O Banco Mundial classifica um país como de alta renda (high income) quando o seu Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita, calculado pelo método Atlas e expresso em dólares americanos, ultrapassa um limite específico atualizado anualmente. Esse método suaviza variações cambiais ao calcular a média das taxas de câmbio dos últimos três anos, ajustadas pela inflação.

O Brasil nunca atingiu esse patamar. Em 2006, possuía um RNB per capita que correspondia a 57,6% do limite de alta renda. Desde então, essa proporção cresceu paulatinamente até atingir 89,4% em 2013, o seu pico. Entre 2019 e 2022, a proporção caiu de 76% para 63,9% no fim do período (vale lembrar que a pandemia atingiu todos os países e, com isso, freou a evolução desse índice). Ou seja, esse quadriênio foi um período em que o bem-estar relativo da população brasileira diminuiu em comparação com o resto do mundo. Desde 2023, com o novo governo Lula, o RNB per capita brasileiro evoluiu para 73,4% do patamar mínimo para que o país fosse considerado de alta renda. Quase todas as perdas referentes ao governo Bolsonaro foram recuperadas, mas ainda há uma distância considerável para atingir os 100%.

Se a evolução nos próximos quatro anos (2027-2030) for semelhante à registrada entre 2006 e 2010, e a evolução do limite do Banco Mundial se equiparar à ocorrida entre 2019 e 2025, o Brasil se tornará um país de alta renda ao final do próximo governo Lula. Mesmo que a evolução desse limite mundial siga o padrão observado entre 2006 e 2010, ainda assim o Brasil precisaria de apenas quatro anos e um mês para alcançar o status de alta renda. Ou seja, é perfeitamente viável chegar lá, principalmente porque em 2026 deveremos registrar alguma evolução que ainda não foi computada nas estatísticas anteriores.

Dessa forma, o sonho de Lula não é irrealista segundo os critérios do Banco Mundial; basta que o Congresso Nacional não atrapalhe muito. Daí a necessidade de não apenas elegermos Lula presidente, mas também deputados e senadores que estejam afinados com o seu projeto.

Países como Coreia do Sul, Costa Rica e Chile já atingiram esse nível de alta renda de acordo com o RNB per capita. A China deve atingir esse patamar este ano, pois já está muito próxima. Para o Brasil fazer o mesmo, basta que tenhamos um presidente preocupado com o bem-estar da maioria da população, e não apenas com o dos mais ricos.

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