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O Brasil como modelo de investimento em política nacional de conhecimento

O que o Brasil está fazendo com todo o conhecimento que produz? Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes para o futuro do país

Flávia Rodrigues da Silva

Publicado: 27/08/2026 às 08:01

Conhecimento/Magnific (antigo Freepik)

Conhecimento (Magnific (antigo Freepik))

O que o Brasil está fazendo com todo o conhecimento que produz? Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes para o futuro do país. Estamos acostumados a ouvir falar em políticas de educação, ciência, tecnologia, inovação e industrial. Mas existe algo maior por trás de todas essas agendas.

Conhecimento. Ele não deveria ser tratado como um assunto restrito às universidades ou aos centros de pesquisa. Mas uma questão de desenvolvimento nacional. Pois um país que não consegue transformar conhecimento em decisão, inovação, produtividade e qualidade de vida, perde uma parte importante do valor que ele próprio produz. A situação, portanto, não é apenas produzir conhecimento. É criar condições para que ele circule. Essa circulação precisa acontecer entre universidade e empresa, entre cientistas e governo, entre ciência e educação, entre tecnologia e sociedade. É preciso começar a enxergá-lo como infraestrutura nacional. 

E isso exige estratégia, continuidade, investimento e também uma mudança de mentalidade. Durante muito tempo, e num passado não tão distante, discutiu-se ciência principalmente quando faltavam recursos, havia uma crise ou surgia uma grande descoberta. Talvez precisemos fazer uma pergunta diferente: que país queremos construir e que conhecimento precisamos produzir para chegar até lá? Essa pergunta muda a direção da conversa. Em vez de perguntar apenas quanto vamos investir em pesquisa, podemos perguntar quais são os problemas precisamos ser capazes de resolver. Em vez de pensar apenas em quantidade de diplomas, podemos pensar em quais competências o país precisará nos próximos dez, vinte ou trinta anos.

Nesse cenário, depender do conhecimento produzido no exterior não se trata mais apenas de uma questão econômica e já caminha para não ser mais a realidade do Brasil. É também uma questão de autonomia. Pois precisamos ter capacidade de produzir conhecimento próprio, adaptá-lo à realidade e transformá-lo em soluções.
Por isso, defender uma política nacional de conhecimento significa defender uma visão na qual a educação prepare pessoas para pensar e a ciência produza respostas para situações relevantes. Empresas que consigam transformar conhecimento em inovação e decisões públicas sejam tomadas considerando evidências científicas para a tomada de decisão. É sobre transformar tecnologia em instrumento de desenvolvimento, e não apenas de consumo. E que o conhecimento produzido no Brasil consiga chegar, principalmente, ao brasileiro.

Drª Flavia Rodrigues da Silva - Neurocientista

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