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Governo Paulo Câmara: números que resistem ao tempo, à crítica e à política

Os fatos e dados auditados que moldaram o legado fiscal e a estabilidade administrativa de Pernambuco após duas décadas de desafios

Milton Coelho

Publicado: 16/05/2026 às 09:34

Bandeira de Pernambuco. /Foto: Bruno Muniz/Unsplash

Bandeira de Pernambuco. (Foto: Bruno Muniz/Unsplash)

Após a interrupção das eleições diretas para governador pelo golpe militar de 1964, Pernambuco só voltou a escolher livremente seus governantes em 1982, no processo de redemocratização do país. Desde então, ocuparam o Palácio do Campo das Princesas nomes centrais da política pernambucana, como Roberto Magalhães, Miguel Arraes, Joaquim Francisco, Jarbas Vasconcelos, Eduardo Campos e Paulo Câmara — todos com marcas e legados próprios.

Entre eles, Paulo Câmara construiu uma singularidade rara. Foi o único governador eleito e reeleito enfrentando o mesmo adversário nas duas disputas — Armando Monteiro Neto — vencendo ambas ainda no primeiro turno. Em um estado historicamente marcado por disputas equilibradas e intensas, o feito possui evidente relevância política.

Sua trajetória, porém, não se resume às urnas. Paulo Câmara também protagonizou o mais longo período contínuo à frente do Executivo estadual desde a redemocratização: oito anos completos de governo, equivalentes a 2.920 dias de administração ininterrupta.

Economista e profundo conhecedor da estrutura fiscal do Estado, governou Pernambuco em um dos períodos mais difíceis da economia brasileira contemporânea. A crise de 2015 e 2016 mergulhou o país em recessão histórica, com retrações do PIB nacional de 3,8% e 3,3%, respectivamente. Enquanto 16 estados enfrentavam colapso fiscal, atrasos salariais e parcelamento do décimo terceiro, Pernambuco atravessou a crise sem interromper o pagamento dos servidores.

Estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul tornaram-se símbolos do desequilíbrio financeiro. Em Pernambuco, salários e décimo terceiro permaneceram rigorosamente em dia.

O mesmo padrão de estabilidade administrativa se manifestou durante a pandemia da Covid-19. Em meio à maior crise sanitária do século, Pernambuco obteve reconhecimento nacional pela capacidade de resposta do sistema público de saúde, figurando entre os cinco estados brasileiros com menor taxa de mortalidade no período mais crítico da pandemia.

Talvez o dado mais eloquente de sua gestão tenha surgido ao final do mandato. Em 1º de janeiro de 2023, Paulo Câmara deixou nos cofres públicos de Pernambuco um superávit financeiro de R$ 4,25 bilhões — o maior registrado pela administração estadual nos últimos 40 anos.

Não se trata de retórica política nem de peça publicitária. O resultado foi oficialmente constatado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que aprovou, por unanimidade e sem ressalvas, todas as contas referentes aos oito anos de governo. Posteriormente, os relatórios também foram aprovados integralmente pela Assembleia Legislativa (Alepe).

Naturalmente, nenhum governo está imune a críticas. Elas são parte essencial da democracia. Mas existe uma diferença entre o debate político legítimo e a negação objetiva dos fatos. E os fatos, sobretudo quando sustentados por dados oficiais e auditados pelos órgãos de controle, possuem força própria.

Pode-se divergir politicamente de Paulo Câmara, questionar prioridades administrativas ou discordar de decisões de governo. O que não parece razoável é ignorar resultados certificados institucionalmente. Porque, em política, versões disputam narrativas; os números, porém, quando auditados e aprovados, costumam falar uma linguagem menos vulnerável às paixões e mais próxima da realidade.

Milton Coelho - ex-vice-prefeito do Recife e ex-deputado federal.

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