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E se existisse uma casa de apostas chamada "Happy married forever bet"?

Hoje, 50 anos decorridos, a sorte acompanhou aos dois que apostaram um no outro

Luiz Carlos de Barros Figueirêdo

Publicado: 05/05/2026 às 11:16

Alianças de casamento/Freepik

Alianças de casamento (Freepik)

Com certeza, no casamento meu e de Teresa, só nós dois apostamos em nós mesmos. Tivemos, é bem verdade, pouquíssimos apoiadores discretos. Talvez porque não tivessem como bancar os riscos, já que éramos dois jovens, sendo um recém-formado e outra próxima a se formar; um com um emprego muito simples, outra ainda não incluída no mercado de trabalho, mas que se amavam e sabiam que podia dar certo.

Tinham pouco para apostar. Sei lá, a preço de hoje cada um apostou 10 reais. Nada mais, porque nada mais tinham. Os apoiadores tinham uma missão estranha: tinham que fazer o elo e dar razão ao outro time para poder dar certo. No time AL, um sogro apoiava o representante do time PE. No time PE, uma irmã mais jovem apoiava a representante do AL. Não resolviam muita coisa, diante das forças que atuavam mais pela omissão ou mesmo imaginando a impossibilidade de dar certo.

Hoje, 50 anos decorridos, a sorte acompanhou aos dois que apostaram um no outro. A felicidade bateu na porta deles e ali fez morada. Trabalharam, compartilharam, conquistaram uma família: filhos, netos, noras, genro, até mesmo o apoio e a confiança de quem não os apoiou no passado. Sucesso na vida profissional de ambos, bens materiais; fé inabalável em Nosso Senhor Jesus Cristo - o Deus vivo e na intercessão de Maria, Nossa Senhora para os humanos — e em favor dos humanos — junto a Deus.

Conquistaram de tudo um pouco e sabem que têm muito mais a conquistar. Em especial os amigos que formaram ao longo dessa trajetória, na certeza de que podem servir de demonstração de que, sim, o amor é possível. Mas que o amor só não basta. O cotidiano é cruel. Que é preciso que haja confiança, respeito, projeto de vida em comum e compreensão. E aí, respeito para aquelas coisas nas quais as percepções são diferentes, principalmente nas prioridades. Esse deve ser o segredo de uma união tão longeva e que deu certo.

E que neste “segredo” podem também se apoiar todas as outras pessoas. Desde que demonstrem que estão imbuídos da mesma tenacidade, da mesma força de vontade de fazer com que suas respectivas uniões possam ser vitoriosas. Graças a Deus eu te encontrei e graças a Deus você me encontrou, porque somos assim, penso eu, indispensáveis um ao outro. E que Deus continue a nos ajudar e a iluminar para que possamos seguir a nossa trajetória de vida sempre juntos neste plano terrestre. Te amo, Galeguinha.

Por Luiz Carlos de Barros Figueirêdo, desembargador do TJPE

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