O W que faltava
De todas as letras do alfabeto, não é de hoje que fico com o W. Letra que para alguns é incomum e para mim, estritamente pernambucana
Publicado: 15/04/2026 às 10:49
Deputado Estadual Waldemar Borges (Foto: Nando Chiappetta)
De todas as letras do alfabeto, não é de hoje que fico com o W. Letra que para alguns é incomum e para mim, estritamente pernambucana. Raras as vezes escrevo sobre alguém que muito gosto, principalmente porque a maior qualidade de um bom jornalista é a imparcialidade, mas como não me encaixo nessa premissa, me atrevo certo e agarrado de que na política, ser imparcial é quase e quinem se render a imoralidade. E disso Wal nunca sofreu. E quem mais seria Wal, senão Waldemar Alberto Rodrigues Borges Neto? Ele que, ainda novo, foi vereador, junto às lutas democráticas do Brasil em períodos tão incertos e, ao mesmo tempo, de muita esperança, ao lado de Doutor Arraes.
Com essa mesma determinação, depois de quatro mandatos na Câmara Municipal, se deixou à disposição, como tudo que fez e faz na vida, sempre à disposição e a incansável dedicação ao lado das trincheiras certas, a de Eduardo Campos na excelência da gestão pública. Logo em seguida, como militante disciplinado e guiado por seu líder político, com quem fez política desde o chão da universidade, e seguindo seu destino, aquilo que era de mais natural e cristalino, volta ao legislativo. Só que dessa vez para todos os pernambucanos, empunhando a bandeira na defesa do povo desse grande e aguerrido estado nordestino. Eleito com louvor e entusiasmo, com a benção dos intelectuais e dos boêmios, passando pelos importantes e imponentes políticos, até aos mais humildes e determinados eleitores que se nutriram da vontade de ter um digno e incansável representante.
E a partir daí torna-se nosso deputado na Assembleia Estadual. Digo nosso porquê lembro-me dos meus tempos de moleque que em minha casa todos eram Wal, e do meu primeiro e sempre voto no número 40-6-40. Honrando essa trajetória de dedicação irrestrita nos seus quatro mandatos consecutivos, tornando-se entre poucos, um parlamentar com 16 anos de casa. Nessa mesma casa passou por importantes momentos políticos e históricos, atuações desde líder do governo à oposição vigilante e presidente da cobiçada CCLJ, com episódios de sincero “anti-decoro” de parlamentares da atual situação, apreensivos, quando nos sorteios era o escolhido para ser relator de pautas imprescindíveis e inegociáveis.
Nunca se acovardou, nunca se esquivou, nunca se escondeu. Esteve e continuará sempre no mesmo lugar, defendendo os mesmos interesses coletivos e republicanos. À família e aos amigos sempre foi casa, na sua tão querida Serra do Maroto, aos eleitores sempre foi leal e convicto, aos adversários, sempre foi respeito e compreensão, muita compreensão. Pensar na política do Brasil, que há pouco teve sua tão jovem democracia terrivelmente ameaçada, sem a atuação diária de Wal, traz no mínimo insegurança compilada com aquele receio que não sabemos bem explicar, e talvez nem precise. Nestes momentos, percebemos inapelavelmente a falta que o W que no passado nunca faltou, fará no presente latente e no futuro de sempre.
Tyago Bianchi - Jornalista e Secretário-Geral do PSB do Recife.