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Uma obra acadêmica, austera e vibrante

Uma obra coletiva de grande importância acaba de ser lançada para iluminar um dos movimentos heroicos da nossa história: "A Confederação do Equador: A Luta pela Cidadania na Construção do Brasil"

Marcus Prado

Publicado: 10/03/2026 às 08:11

Uma obra coletiva de grande importância acaba de ser lançada para iluminar um dos movimentos heroicos da nossa história:

Uma obra coletiva de grande importância acaba de ser lançada para iluminar um dos movimentos heroicos da nossa história: "A Confederação do Equador: A Luta pela Cidadania na Construção do Brasil" (Reprodução)

Uma obra coletiva de grande importância acaba de ser lançada para iluminar um dos movimentos heroicos da nossa história: “A Confederação do Equador: A Luta pela Cidadania na Construção do Brasil”, publicada pela Editora do Senado Federal como parte das celebrações do bicentenário do levante que teve grande repercussão no país em sua época.

Com este volume (o número 347 da prestigiosa coleção do Senado), percebe-se que os estudos acadêmicos, destacadamente em Pernambuco, atravessam um momento de vigorosa renovação. A obra, a partir de uma numerosa variedade de fontes, distancia-se das narrativas meramente factuais ou ufanistas para abraçar uma complexidade que faz justiça à trajetória singular da região que serviu de palco para os múltiplos agentes dessa epopeia.

O contexto histórico é nítido: após dissolver a Assembleia Constituinte em 1823, D. Pedro I outorgou, em 1824, uma Constituição que instituía o Poder Moderador, conferindo ao monarca prerrogativas quase absolutas. Enquanto isso, o Nordeste amargava a queda nos preços do açúcar e do algodão, somada aos pesados impostos remetidos ao Rio de Janeiro. O estopim, como consolidado pela historiografia, foi a nomeação de um presidente de província para Pernambuco sem o respaldo das elites locais. Contudo, o movimento não pretendia apenas reformar o Brasil; almejava a fundação de um novo país.

A repressão por parte do poder central foi severa: líderes presos e julgados, culminando no caso de Frei Caneca, condenado à morte. (Vale aqui a lembrança da contribuição de Cláudio Aguiar, com “O Suplício de Frei Caneca”, oratório dramático que narra o martírio de Frei Joaquim do Amor Divino Caneca).

A coordenação desta coletânea de textos inéditos coube aos historiadores George Cabral e Marcus Carvalho, ambos da UFPE — dois pilares da historiografia pernambucana contemporânea. Referir-se a Cabral e Carvalho é evocar a excelência acadêmica aliada a uma paixão contagiante pela memória de fatos históricos pernambucanos. No próximo artigo, detalharei o conjunto de colaboradores e o teor de cada capítulo. São todos especialistas que transformam documentos áridos de arquivo em narrativas pulsantes, equilibrando o rigor científico a uma sensibilidade aguçada para os silêncios do passado.

Cumpre destacar que a historiografia internacional, a exemplo da prestigiosa coleção “The Cambridge History of Latin America” (editada por Leslie Bethell), analisa a Confederação do Equador como um momento crítico de fragmentação e resistência no processo de formação do Estado nacional brasileiro.

Bethell é um dos maiores brasilianistas, dedicou sua carreira ao estudo do Brasil oitocentista. Há também um denso texto de pesquisa, “A Confederação e secessão no pensamento de Frei Caneca”, de autoria de George Rodrigo Galindo, e o texto “Tragédia da Memória”, do professor Marcos Galindo (UFPE), aos quais prometo retornar com novas notícias.

Marcus Prado - Jornalista

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