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Bolsonarismo mata

Venho sempre afirmando que o bolsonarismo é fundado na mentira, na frustração e no ódio

Alexandre Rands Barros

Publicado: 24/02/2026 às 11:05

Caminhada organizada por Nikolas Ferreira/Nikolas Ferreira via Instagram

Caminhada organizada por Nikolas Ferreira (Nikolas Ferreira via Instagram)

Venho sempre afirmando que o bolsonarismo é fundado na mentira, na frustração e no ódio. Não é difícil notar que as publicações de bolsonaristas em redes sociais destilam muito ódio contra pessoas com uma visão positiva e construtiva da vida e da sociedade. Elas só criticam, geralmente baseadas em mentiras, e não apresentam nada de construtivo. Recentemente, formulei mais um teste para a hipótese de que os bolsonaristas só sabem odiar e praticar o mal. Fiz um levantamento de estudos da neurociência sobre a relação entre esse tipo de ódio destilado por eles e a saúde deles próprios. Aprendi que, mesmo que um indivíduo não sinta culpa, ele sofre uma penalização biológica sistêmica quando propaga e pratica o mal. Estudos sobre hostilidade realizados por Redford Williams, da Duke University, nos EUA, conduzidos por décadas de levantamento de informações, mostraram que pessoas com altos níveis de "hostilidade cínica" (quem vive tentando passar os outros para trás ou sendo agressivo) têm o sistema nervoso simpático superestimulado. Como consequência elas têm corações mais fracos, artérias mais rígidas e um sistema imunológico menos eficiente. A evolução de nossa espécie "pune" o comportamento antissocial tornando o indivíduo mais vulnerável biologicamente.


Sendo o bolsonarismo o culto ao mal e sendo ele difundido entre pessoas com muita frustração e extrema agressividade, deduzi que fragilidades biológicas seriam encontradas com maior frequência entre aqueles que votaram em Bolsonaro nas eleições de 2022. Por conseguinte, quanto maior a proporção de votos em Bolsonaro no primeiro turno das eleições de 2022, menor deveria ser a longevidade média da população em um dado município. Vale lembrar que o voto nessa data já ocorreu com os brasileiros conhecendo Bolsonaro, não sendo apenas um voto "antilula". Então, criei a relação estatística simples e óbvia de que, quanto maior a proporção de votos em Bolsonaro num município já no primeiro turno, maior seria a mortalidade da população e menor seria a proporção de pessoas com 65 anos e mais sobre a população total (também em 2022). Dividi essa última variável pelo PIB per capita de 2022 para eliminar o efeito da maior renda sobre a longevidade. Além da proporção de votos válidos em Bolsonaro no primeiro turno, incluí o coeficiente de Gini como variável explicativa em uma regressão com dados longitudinais. A amostra contou com dados de 5.399 municípios brasileiros, abrangendo todos para os quais havia informações sobre todas essas variáveis.


Os resultados foram bastante claros: o coeficiente estimado foi negativo, implicando que, quanto maior a proporção de votos em Bolsonaro, menor é a longevidade da população para um dado PIB per capita. Como já é sabido por diversos estudos econômicos, quanto maior a concentração de renda no município (maior o coeficiente de Gini), menor também é a longevidade média da população. Pois, assim como o bolsonarismo, a pobreza também mata. Ambos os coeficientes estimados foram diferentes de zero com 99% de chance (nível de significância). Essas duas variáveis explicaram 44% da proporção utilizada para medir a longevidade da população para cada nível de PIB per capita. Ou seja, o bolsonarismo não só mata, como o ódio que ele representa é fundamental para explicar parte substancial das diferenças de expectativa de vida nos diversos municípios brasileiros.

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