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Carnaval Tributário: entre a cerveja e o "imposto do pecado"

Carnaval é alegria, é frevo, é cerveja gelada na mão

Ivo Lima

Publicado: 13/02/2026 às 09:47

No fim das contas, o Brasil dança ao som de um novo samba tributário/Foto: freepik

No fim das contas, o Brasil dança ao som de um novo samba tributário (Foto: freepik)

Carnaval é alegria, é frevo, é cerveja gelada na mão. Mas também é imposto — e não pouco. O folião que levanta o copo em 2026 brinda não só à festa, mas também ao velho sistema tributário brasileiro, que dá seus últimos passos antes da grande reforma. PIS e Cofins se despedem, ICMS e ISS ainda resistem, mas já se anunciam os novos protagonistas: CBS e IBS.


A pergunta que não quer calar é simples: vai ficar mais caro ou mais barato beber no Carnaval do futuro?
Hoje, uma lata de cerveja carrega até 50% de tributos embutidos. É como se metade do gole fosse para o Estado. Fantasias, abadás e ingressos também não escapam: entre 30% e 45% do preço é tributo disfarçado de purpurina. Hospedagem? Shows? O ISS municipal dá o tom, variando de 2% a 5%, além dos custos indiretos que se acumulam na cadeia.


A Reforma Tributária promete simplificação, transparência e menos burocracia. Mas não promete alívio imediato. O folião pode até entender melhor o que está pagando, mas dificilmente vai sentir o bolso mais leve. Afinal, o leão não perde o apetite — apenas muda a forma de cobrar.


E aí entra o Imposto Seletivo, apelidado de “imposto do pecado”. Bebidas alcoólicas, cigarros e combustíveis fósseis serão taxados com uma alíquota extra, justamente por serem considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente. Em outras palavras: mesmo com CBS e IBS, a cerveja continuará pagando caro. Talvez menos que a cachaça ou o uísque, já que a calibragem deve variar conforme o teor alcoólico. Mas o brinde do folião seguirá tributado com gosto amargo.


Há, claro, contrapartidas. Setores culturais e esportivos terão redução de 60% nas alíquotas padrão de IBS/CBS. Isso significa que ingressos de shows e espetáculos podem ficar mais acessíveis. Já bares, restaurantes e hotéis terão regimes específicos, adaptados à realidade do turismo e da gastronomia. É um aceno à importância econômica da festa, mas não uma revolução nos preços.


O que muda, portanto, não é o custo imediato da folia, mas a lógica da cobrança. O Carnaval de 2026 é a despedida de um sistema confuso e a preparação para um modelo mais transparente. O folião talvez não pague menos, mas saberá melhor o que está pagando.


No fim das contas, o Brasil dança ao som de um novo samba tributário. A cerveja continua cara, mas a nota fiscal promete ser mais clara. E talvez essa transparência seja o primeiro passo para que o contribuinte, entre um gole e outro, perceba que a festa também é da cidadania.

IVO LIMA – advogado tributarista – sócio do Ivo Barboza & Advogados Associados

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