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O IBGE e o risco do extremismo ideológico

A presença do senhor Márcio Pochmann na presidência do IBGE vem expondo frequentemente um problema que ultrapassa divergências políticas ou disputas ideológicas circunstanciais

Angelo Castello Branco

Publicado: 05/02/2026 às 07:09

Fachada do IBGE/Divulgação/IBGE

Fachada do IBGE (Divulgação/IBGE)

A presença do senhor Márcio Pochmann na presidência do IBGE vem expondo frequentemente um problema que ultrapassa divergências políticas ou disputas ideológicas circunstanciais: está em jogo a credibilidade de uma das instituições mais sensíveis e estratégicas do Estado brasileiro.

Quando Edmar Lisboa Bacha — membro da Academia Brasileira de Letras, professor emérito da PUC-Rio e um dos pais do Plano Real — manifestou publicamente sua indignação com a nomeação do atual presidente, em artigo publicado no Estado de S. Paulo, o gesto não pode ser tratado como opinião trivial ou motivada por partidarismo.

Ficava claro ter sido um alerta qualificado, vindo de alguém cuja trajetória está associada ao rigor técnico, à estabilidade monetária e ao respeito às instituições.

A recidiva reação de servidores de carreira do IBGE diante da gestão de Márcio Pochmann agrava ainda mais o cenário. O instituto sempre foi reconhecido, no Brasil e no exterior, pela excelência metodológica, pela autonomia técnica e pelo compromisso com a neutralidade estatística.

Quando seu próprio corpo técnico passa a demonstrar desconforto, resistência ou a levantar suspeitas de interferência política, fraude ou manipulação de dados, o dano institucional potencial é profundo — ainda que tais denúncias devam, como é obrigatório em um Estado de Direito, ser devidamente apuradas com responsabilidade e provas.

Os dados produzidos pelo IBGE não são meros números administrativos. Eles balizam políticas públicas, decisões empresariais, análises de risco, investimentos nacionais e estrangeiros, além de servirem como referência para organismos multilaterais e mercados internacionais.

Qualquer dúvida sobre a fidedignidade desses indicadores compromete a previsibilidade econômica, alimenta a desconfiança, estimula a fuga de capitais e cria um perigoso descolamento entre a estatística oficial e a realidade socioeconômica do país.

Por isso, a gravidade da situação exige transparência, institucionalidade e respeito aos limites técnicos da função. O IBGE não pode ser convertido em instrumento de projetos políticos de ocasião.

Sua autoridade histórica repousa justamente na independência e na confiança pública acumulada ao longo de décadas. Preservar essa credibilidade não é uma agenda de oposição ou de governo, mas uma exigência essencial para a estabilidade econômica, a segurança jurídica e o interesse nacional.

Angelo Castello Branco - membro da Academia Pernambucana De Letras

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