O Peso e a Luz da Imortalidade
A imortalidade, no sentido acadêmico, é frequentemente confundida com uma honraria estática ou um título de nobreza intelectual
Publicado: 16/01/2026 às 07:35
A imortalidade, no sentido acadêmico, é frequentemente confundida com uma honraria estática ou um título de nobreza intelectual (Foto: freepik)
A imortalidade, no sentido acadêmico, é frequentemente confundida com uma honraria estática ou um título de nobreza intelectual. No entanto, ao assistirmos à posse de Jô Mazzarolo na Academia Pernambucana de Letras (APL), compreendemos que essa "imortalidade" é, na verdade, um conceito dinâmico e pulsante. Ela não se refere ao tempo de vida de quem ocupa a cadeira, mas à perenidade do rastro que essa pessoa deixa na alma de uma sociedade.
Ser imortal em uma instituição de quase 125 anos significa que a contribuição do indivíduo tornou-se indissociável da história coletiva. No caso de Jô, essa trajetória é marcada por uma simbiose rara: a sensibilidade da gaúcha que se deixou moldar pelo barro de Pernambuco e a força da jornalista que usou a comunicação para traduzir o nosso estado para nós mesmos.
O legado que leva Jô à Cadeira nº 14 não é feito apenas de palavras escritas, mas de ações que transformaram a forma como Pernambuco se enxerga. Durante décadas, ela não apenas geriu notícias; ela cultivou a identidade regional, deu palco ao Frevo, voz ao Sertão e dignidade às pautas sociais através de um jornalismo que cobrava soluções e não apenas narrava problemas.
A imortalidade, portanto, reside na permanência das ideias. Quando um profissional de comunicação dedica sua vida a fortalecer a cultura e a ética, ele cria um patrimônio que não se apaga com o encerramento de um ciclo profissional ou com o passar dos anos. O legado de Jô é a prova de que a inovação e o respeito às raízes podem — e devem — caminhar juntos.
Ao recebê-la, a Academia Pernambucana de Letras não apenas preenche uma vacância; ela renova seu compromisso com a contemporaneidade. Jô Mazzarolo traz consigo a vivacidade de quem sabe que a escrita e a comunicação são ferramentas de construção de um futuro mais justo e consciente.
Pernambuco ganha uma imortal que, em vida e obra, sempre foi sinônimo de movimento. Que a sua presença na Casa de Carneiro Vilela seja o eco eterno de uma liderança que ensinou que, para ser universal, é preciso, antes de tudo, amar, “se meter", e entender o seu próprio quintal.
Parabéns, Jô. Sua imortalidade é o nosso presente.
Professor Otavio Moraes, sociólogo, MSc em Administração, empreendedor e membro de Conselhos de Organizações.