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Remoto, híbrido ou presencial: qual o futuro do modelo de trabalho?

A consolidação dos modelos remoto e híbrido ampliou a autonomia profissional e redefiniu a relação entre tempo, espaço e produtividade

Cláudia Santana

Publicado: 08/01/2026 às 07:43

A consolidação dos modelos remoto e híbrido ampliou a autonomia profissional e redefiniu a relação entre tempo, espaço e produtividade/Foto: freepik

A consolidação dos modelos remoto e híbrido ampliou a autonomia profissional e redefiniu a relação entre tempo, espaço e produtividade (Foto: freepik)

A consolidação dos modelos remoto e híbrido ampliou a autonomia profissional e redefiniu a relação entre tempo, espaço e produtividade. Ao mesmo tempo, trouxe um efeito colateral relevante: o enfraquecimento dos vínculos e o avanço do isolamento. Projeções para 2026 indicam aumento de riscos psicossociais e perda de engajamento entre profissionais que permanecem longos períodos em home office, o que acende um alerta importante para as agendas de ESG.

Em resposta, muitas organizações passaram a defender o retorno integral ao modelo presencial, como se a presença física fosse, por si só, capaz de restaurar pertencimento, colaboração e confiança. Essa reação, embora compreensível, ignora uma lição central da pandemia: equipes se mantiveram coesas mesmo à distância quando havia governança relacional, com estratégias claras de comunicação, escuta estruturada e alinhamento de propósito.

Sob a ótica do ESG, o desafio da flexibilização não reside no formato de trabalho, mas na qualidade da convivência organizacional. Onde não há identidade institucional consistente, diretrizes compreendidas, pactos de cooperação, metas alinhadas e canais permanentes de escuta, o trabalho tende a se fragmentar. Decisões passam a ser orientadas por interesses individuais, cada área passa a olhar apenas para seus próprios objetivos e o senso de responsabilidade coletiva se enfraquece, um risco direto à boa governança.

É nesse ponto que a comunicação deixa de ser apenas um instrumento operacional e passa a cumprir uma função estratégica. A comunicação integrativa, em especial, atua como infraestrutura invisível da governança, ao criar espaços, políticas e rituais que organizam a convivência e orientam a passagem do eu para o nós. Seu papel não é persuadir ou harmonizar artificialmente, mas estabelecer acordos claros sobre como e por que as pessoas dialogam, discordam, decidem e cooperam.

Ao deslocar o foco da performance individual para o bem comum, a comunicação integrativa sustenta processos decisórios mais responsáveis, reduz riscos de ruído, previne conflitos silenciosos e fortalece a transparência, pilares centrais da agenda ESG. Trata-se de um mecanismo que integra pessoas, áreas e interesses em torno de critérios coletivos, essenciais para a perenidade dos negócios.

Esse movimento exige menos iniciativas grandiosas e mais práticas institucionais recorrentes: encontros objetivos com escuta qualificada, pactos explícitos de convivência, políticas que valorizem o diálogo transversal, rituais que reafirmem propósito e interações regulares que preservem a presença, seja física, seja digital. Quando incorporadas à governança, essas práticas fortalecem vínculos, mantêm alinhamento contínuo e reduzem a dependência do controle informal ou do improviso.

O futuro do trabalho, portanto, não será determinado pela escolha entre remoto, híbrido ou presencial, mas pela capacidade das organizações de construir conexões humanas densas, orientadas ao coletivo e sustentadas por boa governança. Onde não há vínculo e corresponsabilidade, a produtividade declina e a sustentabilidade do negócio é comprometida.

Sob a lente do ESG, a pergunta central deixa de ser “onde se trabalha” e passa a ser “como se decide, se convive e se integra”. É nessa escolha relacional, política e institucional que se define o verdadeiro futuro do trabalho.

Cláudia Santana é especialista em relações do trabalho, liderança e comunicação, com atuação em governança organizacional e ESG.

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